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Fifa realiza congresso tentando acabar com corrupção na própria entidade

Por Da Redação - 23 maio 2012, 14h53

Budapeste, 23 mai (EFE).- Melhorar a transparência, lutar contra a corrupção e recuperar o prestígio são os grandes objetivos do Congresso anual da Federação Internacional de Futebol (Fifa), que começa nesta quinta-feira em Budapeste, na Hungria, e que votará a inédita possibilidade de inclusão de uma mulher em seu Comitê Executivo.

De acordo com o presidente da entidade, Joseph Blatter, as medidas pretendem garantir ‘a governabilidade, a transparência e a tolerância zero contra a corrupção’, devido às acusações de fraudes após a eleição das Copas do Mundo de 2018 e 2022, que terão como sedes Rússia e Catar, respectivamente.

A Fifa quer fortalecer sua Comissão de Ética, que passará a ser formada por um órgão de investigação e outro de decisão, dando maior poder à Comissão de Auditoria e Conformidade, cujo cargo deve ser encarregado ao italiano Domenico Scala.

Os dois presidentes da Comissão de Ética, que supervisionarão as nomeações dos futuros membros da Fifa, serão anunciados na próxima sessão do Comitê Executivo, na primeira semana de julho, em Zurique, onde também será aprovado o novo código ético.

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Nestas reformas, que serão terminadas em 2013, o destaque fica por conta do professor suíço de direito Mark Pieth, presidente da Comissão Independente de Governabilidade da Fifa, que propôs a nomeação de Scala.

Mesmo assim, a ONG de luta contra a corrupção ‘Transparência Internacional’ criticou a falta de mais reformas e o pouco empenho em investigar denúncias anteriores, e em abril o Conselho da Europa ordenou a Fifa para que abrisse uma investigação interna sobre os escândalos em que se viu envolvida os últimos anos.

O Congresso, que terminará na sexta-feira, também convidará Lydia Nsekera, presidente da Associação de Futebol do Burundi, para fazer parte de seu Comitê Executivo.

Nsekera ficará durante um ano no Comitê Executivo, e em 2013, com os novos estatutos, poderá ser escolhida uma representante feminina para um mandato de quatro anos.

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‘O futebol é um esporte para homens e mulheres e, por isso, é fundamental que haja uma voz feminina no comitê’, declarou Blatter, de 76 anos, antes do congresso.

A possível limitação dos mandatos presidenciais a oito anos e da idade dos membros da Fifa para a idade máxima de 72 anos podem ser debatidas em Budapeste, embora sem votação.

No Congresso também é esperada a admissão do Sudão do Sul como o membro de número 209 da Fifa, e o reforço da proibição a clubes e seleções de recorrer a tribunais comuns para resolver pendências, como aconteceu em 2011 com o Sion, da Suíça.

É possível que também seja discutida a introdução da tecnologia para decidir jogadas polêmicas, como os ‘gols fantasma’, mas a decisão a respeito não deve ser tomada antes da reunião da International Football Association Board (IFAB), entidade responsável pelas regras do jogo, em julho.

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À margem da realização do Congresso, a Concacaf vai eleger Jeffrey Webb, um banqueiro do paraíso fiscal das Ilhas Cayman, como seu novo presidente, em substituição a Jack Warner, de Trinidad e Tobago.

Warner renunciou por acusações de corrupção, mas antes foi suspenso provisoriamente após publicar uma mensagem do secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, na qual este dava a entender que o Catar ‘comprou’ a organização da Copa do Mundo de 2022.

Amanhã também será realizada a segunda rodada do Comitê Médico da Fifa, a única aberta ao público, com sessões dedicadas à luta contra o doping e, especialmente, às medidas para evitar a morte de jogadores por erros da medicina esportiva. EFE

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