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Fifa admite que África do Sul pagou propina para sediar a Copa de 2010

Entidade se apresenta como vítima e, pela primeira vez, admite que houve fraude em diversas eleições

Entre as diversas denúncias e cobranças de indenização que fez nesta quarta-feira, a Fifa admitiu pela primeira vez que houve compra de votos na eleição para a sede da Copa de 2010, vencida pela África do Sul. À Justiça americana, a entidade agora presidida por Gianni Infantino se apresentou como vítima dos escândalos de corrupção que eclodiram em maio do ano passado. “Agora fica claro que múltiplos membros abusaram de seu poder e venderam seus votos em múltiplas ocasiões”, indicou o documento da Fifa enviado à Justiça dos Estados Unidos.

O caso mais grave se refere às acusações de que os dirigentes Chuck Blazer e Jack Warner receberam 10 milhões de dólares (aproximadamente 38 milhões de reais pela cotação atual) da federação sul-africana para votar na África do Sul como sede do Mundial de 2010. O FBI já havia denunciado o caso em maio de 2015, mas a Fifa, ainda sob a gestão do presidente Joseph Blatter e do secretário-geral Jérôme Valcke, insistia que o pagamento era destinado a um programa social. Na época, documentos foram encontrados mostrando a assinatura de Valcke nas transferências e a participação do governo sul-africano no escândalo.

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Agora, a Fifa mudou sua versão e confessou que, de fato, houve pagamento de propina e informou que o filho de Warner, Daryan, era o “homem da mala”, pois buscava o dinheiro sujo enviado pelos africanos em hotéis de Paris. “Eles desviaram o dinheiro para uso privado”, afirmou a Fifa. Na versão dos advogados, a entidade garante que não sabia de nada. Segundo o documento Warner “mentiu para a Fifa ao dizer que o dinheiro era para um programa social, quando na realidade era uma propina”. O FBI já havia informado que o Marrocos também teria tentado obter votos na mesma eleição por meio de propina.

No documento, os advogados apontam que Warner também aceitou vender seu voto para Mohamed Bin Hammam, nas eleições para a presidência da Fifa em 2011, além de distribuir envelopes com 40.000 dólares (150.000 reais) para dirigentes da América Central. Acusado de suborno, o dirigente catariano foi suspenso e deixou a disputa antes da realização.Warner ainda “desviou” milhões em acordos com o empresário brasileiro José Hawilla, dono da Traffic, para jogos válidos pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. Segundo os advogados, porém, eles mantiveram esses acordos em “sigilo” e “esconderam” os fatos da Fifa.

O esquema continuou a partir de 2011, quando Jeffrey Webb foi eleito para dirigir a Concacaf. Segundo a Fifa, a Traffic pagou propinas e permitiu que Webb comprasse “uma pequena mansão e instalasse uma piscina”. Ao tentar convencer os juízes americanos, a entidade insiste que os dirigentes “violentaram a Fifa e buscaram “formas de encher seus bolsos”. A confissão levanta suspeitas sobre todas as outras eleições para sedes da Copa realizadas até 2011, quando Warner e Blazer faziam parte do Comitê Executivo da Fifa.

(com Estadão Conteúdo)