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Felipão, recordista, acha que sua equipe enfim está pronta

Vitória contra a Itália em Salvador deixa o técnico convencido de que o time, apesar de jovem, saberá lidar com a pressão de jogar uma semifinal em casa

Por Giancarlo Lepiani, com fotos de Antonio Milena e Ivan Pacheco 22 jun 2013, 19h53

“O lance que decide o jogo é o do gol de falta do Neymar. Ele nota que o Buffon dá um passo para o lado e bate no canto do goleiro. Só faz a diferença assim os jogadores que podemos chamar de gênios”, disse Felipão

Três vitórias em três jogos na Copa das Confederações, com nove gols marcados e apenas dois sofridos. O técnico Luiz Felipe Scolari, que bateu um recorde ao conquistar sua 11ª vitória consecutiva em jogos oficiais no comando da seleção brasileira (contando também sua passagem anterior pelo cargo, em 2001 e 2001), tinha motivos de sobra para comemorar neste sábado, em Salvador. Para ele, porém, nada despertou maior satisfação do que concluir que seu time, apesar do pouco tempo de trabalho, está preparado para duelar com grandes seleções e manter um bom nível de competitividade, o que ficou claro no triunfo sobre a Itália, 4 a 2, na Arena Fonte Nova. “Acredito que o Brasil chega pronto para a semifinal. Não está pronto para todas as situações que vamos viver até o Mundial, mas para a semifinal, estamos sim. Conquistamos uma confiança muito grande, tanto entre os próprios jogadores como aos olhos da torcida”, festejou. O treinador ressaltou, no entanto, que resta um caminho a percorrer. “Eu ainda gostaria de ver uma evolução da minha equipe em determinados momentos e situações”, afirmou, sem detalhar quais são as carências do time.

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Felipão acredita que sua equipe começou a ganhar corpo nos amistosos contra Itália e Rússia, há cerca de três meses. “Estamos melhorando algumas coisas desde aqueles jogos na Europa. A partir dali, nosso time já começou a evoluir um pouco.” Mas o técnico acha que só o período de concentração no Brasil, com todos os atletas reunidos e convivendo diariamente, possibilitou definir o time. “A partir dali começamos a ter uma equipe de verdade”, explicou. Mesmo considerando seu time pronto para a semi, na quarta-feira, em Belo Horizonte, Felipão mostrou enorme respeito ao falar sobre o possível adversário, o Uruguai. “Entre todos os jogos a que o Gallo (observador técnico da seleção) assistiu no torneio, a equipe que ele mais gostou foi a do Uruguai. E ela joga num estilo que vai dificultar muito para nós. Se tivermos de jogar com eles, será preciso ter muitos cuidados.” O técnico comentou também a manutenção de Thiago Silva e Daniel Alves, que estavam pendurados, no time titular, manifestando sua total confiança nos reservas. “Avisei a todos que os dois jogariam porque sei que tenho gente boa e pronta para colocar no lugar.”

A regra só não serviu para Neymar, eleito mais uma vez o melhor homem em campo. O atacante, que marcou seu terceiro gol em três jogos na competição, foi substituído por Bernard aos 24 minutos, logo depois de a seleção abrir 3 a 1 no placar (e pouco antes de a Itália diminuir a vantagem). Felipão não achou que o jogo estava resolvido, longe disso – sua preocupação era com uma possível expulsão do atleta, que vem fazendo muitas faltas, até por não saber marcar como um defensor. “Ele vai na bola um pouco descoordenado, mas são faltas normais de jogo. A gente nunca sabe o que o juiz vai pensar”, esclareceu. O técnico, mais uma vez, se derramou em elogios ao seu camisa 10. “Ele é um ídolo de todos os brasileiros, de todos nós que gostamos de futebol. O lance que decide o jogo é o do gol de falta dele. Ele nota que o Buffon dá um passo para o lado e bate no canto do goleiro. Só faz a diferença assim os jogadores que podemos chamar de gênios.” Neymar, que apareceu ao lado de Felipão para recolher seu terceiro troféu de melhor homem em campo nesta Copa das Confederações, retribuiu. “Ele é uma grande pessoa, um grande treinador. É uma honra e um orgulho estar trabalhando com ele.”

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Itália com medo – A apresentação do Brasil neste sábado impressionou o técnico da Itália. Cesare Prandelli sofreu apenas sua segunda derrota em jogos oficiais como treinador da Azzurra – a outra foi para a Espanha, na decisão da Eurocopa, no ano passado. Se Felipão pretendia aproveitar o torneio no Brasil para recuperar a imagem da equipe e fazer com que a seleção voltasse a ser temida pelos adversários, missão cumprida, pelo menos por enquanto. “O Brasil foi muito forte, não permitiu que nós jogássemos como queríamos”, elogiou. Prandelli avalia que a evolução da equipe de Felipão é visível em relação ao último encontro entre as equipes, num amistoso em Genebra, em março, empate por 2 a 2. “Vejo um Brasil em crescimento, essa equipe tem um estilo de jogo muito intenso. Junto com a Espanha, possivelmente são as duas seleções mais fortes da atualidade”, garantiu. O comandante da Azzurra revelou inclusive que seus atletas ficaram intimidados com o desafio de encarar o Brasil jogando em Salvador. “Estávamos com um pouco de medo no começo, e diante da seleção brasileira nunca se deve mostrar medo.”

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