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Felipão prevê manutenção da base e mudanças graduais

Novo técnico assume cargo prometendo dar sequência ao trabalho de Mano e diz que, ao contrário do Mundial, a Copa das Confederações não é 'obrigação'

Por Giancarlo Lepiani 30 nov 2012, 12h07

“Precisamos montar uma equipe que jogue bom futebol, mas dentro das catacterísticas dos nossos atletas”, explicou ele, descartando a possibilidade de usar o Barcelona, por exemplo, como modelo

A mudança no comando da seleção brasileira foi repentina e profunda, com a substituição de todos os integrantes da comissão técnica – mas isso não significa que o novo treinador, Luiz Felipe Scolari, promoverá uma revolução na equipe. Em seu primeiro compromisso oficial no retorno ao comando da seleção, nesta sexta-feira, em São Paulo, Felipão sinalizou com a manutenção da base deixada pelo antecessor, Mano Menezes, e previu que as alterações serão feitas de forma lenta e gradual. “É natural que todos os técnicos deixem um pouco de seu trabalho para o próximo. É natural também que se aproveite muito do trabalho anterior. Vou usar o que foi feito pelo Mano e depois posso modificar algumas coisas que, na minha cabeça, devem ser melhoradas”, disse ele na entrevista coletiva oficial dos treinadores na véspera do sorteio dos grupos da Copa das Confederações de 2013, no Anhembi. “Já tenho uma ideia de equipe e de convocação. É claro que algumas substituições serão feitas, isso é normal. Mas não vejo grande diferença em relação à forma de jogar das equipes do Mano”, completou o técnico.

Questionado sobre o possível retorno à seleção de algumas características marcantes de suas equipes no passado, Felipão avisou que não se deve pensar que ele repetirá as mesmas fórmulas de seus trabalhos mais bem sucedidos – e prometeu montar uma formação que aproveite bem as virtudes dos melhores jogadores disponíveis. “Precisamos montar uma equipe que jogue bom futebol, mas dentro das catacterísticas dos nossos atletas”, explicou ele, descartando a possibilidade de usar o Barcelona, por exemplo, como modelo. “Se importarmos o Messi, o Iniesta e outros craques que jogam lá, aí sim poderemos jogar como eles. Mas as características dos nossos atletas não são essas.” Felipão, aliás, discordou das avaliações negativas sobre o momento vivido pelo futebol brasileiro. “Temos uma identidade. Falta saber o que podemos fazer com as características desses atletas. “Não concordo quando dizem que nossa seleção é jovem demais e que ainda falta muito para ela. O que falta é jogar contra adversários fortes para ver qual será a reação de cada atleta em competição oficial”, defendeu.

Por isso mesmo, a Copa das Confederações, que acontece em junho do ano que vem, é vista por Felipão como uma chance de ouro para definir seu grupo para o Mundial. “É uma oportunidade muito interessante, pois é uma competição oficial realizada aqui no Brasil, com adversários bem fortes. Como não jogamos as Eliminatórias e sentimos falta de disputar partidas oficiais nos últimos anos, será ótimo para ver como reagem nossos atletas em duelos de alto nível”, disse o técnico. “A expectativa é de montar 90% ou até 100% da equipe que estará em 2014. Mas surgem muitos atletas de um ano para o outro, e muitas vezes os espaços podem ser preenchidos por atletas em melhores condições”, ressaltou. Ao contrário da Copa, no entanto, Felipão não acha que é obrigação da seleção vencer o torneio, que já conquistou em três ocasiões. Segundo ele, mais importante que a taça é a convivência prolongada com os jogadores a um ano da Copa. “Teremos 14 dias de treinos antes da competição. É um período bom para que a gente conheça algumas reações dos jogadores e possa ter na cabeça o que cobrar de cada um.”

Ao comentar as características dos jogadores que vinham sendo convocados, Felipão reforçou a impressão de que poderá trazer de volta ao grupo alguns velhos conhecidos da torcida – ainda que se diga confiante na capacidade da nova geração que formou a seleção na era Mano Menezes. “Como são muito jovens, têm muita dinâmica e querem muito atingir objetivos maiores, eles podem superar algumas dificuldades com a pouca experiência. Acho que com mais um ano e meio de trabalho, com os jogos da Copa das Confederações, eles estarão muito prontos”, explicou. “De qualquer forma, vamos observar também atletas com maior vivência em seleção brasileira, e eles também podem ser convocados.” O primeiro desafio de Felipão à frente da seleção será o amistoso contra a Inglaterra, no Estádio de Wembley, em Londres, no dia 6 de fevereiro. Antes da Copa das Confederações – em que o Brasil pegará a Itália logo na primeira fase e tem a chance de cruzar também com Espanha e Uruguai -, a equipe deve receber os ingleses para um amistoso no Maracanã e disputar uma partida contra a França no Mineirão.

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