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Felipão nega arrependimento e ataca: ‘Vão para o inferno’

Depois de reunião reservada com jornalistas 'amigos' na concentração, técnico não gostou de ouvir que teria confessado o desejo de trocar um dos 23 atletas

“Não tenho como descer para conversar com todos os jornalistas. De alguns eu não gosto, então não vou chamar mesmo. Não pode ter ciúme de homem, pelo amor de Deus”

Não foi uma entrevista, mas sim uma “conversa entre amigos”, segundo o próprio técnico Luiz Felipe Scolari definiu nesta quinta-feira, no Castelão, em Fortaleza. Mas a reunião a portas fechadas com um grupo de jornalistas próximos ao treinador, na volta à Granja Comary depois da batalha com o Chile, em Belo Horizonte, fez mais estragos que o técnico imaginava. Questionado sobre algumas das revelações que teria feito durante esse encontro, Felipão mostrou irritação e reclamou do “ciúme” dos demais jornalistas que acompanham a seleção. O tema mais delicado foi uma declaração atribuída a ele sobre o desempenho de seus jogadores na Copa. Felipão teria admitido seu arrependimento em relação a um dos 23 convocados. Nesta quinta, o técnico desmentiu essa versão, garantindo que falou apenas sobre o desejo de contar com um nome que não está no grupo, mesmo sem ter reprovado alguma de suas escolhas.

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“Não trocaria ninguém, não foi isso que eu disse”, tentou explicar o técnico na véspera das quartas de final contra a Colômbia. “O que falei foi que poderia aproveitar um jogador com outra característica neste momento. Qualquer outro técnico gostaria de poder acrescentar mais alguém por causa das características da partida seguinte. Comigo não seria diferente. Mas não é que gostaria de ter trocado. Sabemos que podemos confiar nesses 23, e vou morrer abraçado com eles ou vencer tudo com eles.” Felipão acredita que suas palavras foram distorcidas por quem não foi chamado para a conversa. “Mas não tenho como descer do meu quarto para conversar com todos. Convidei os que são meus amigos. De alguns eu não gosto, então não vou chamar mesmo. Não pode existir ciúme de homem, pelo amor de Deus”, provocou.

Em seguida, ele prometeu realizar outras conversas a portas fechadas com repórteres e comentaristas. “Eu sempre fiz isso, gente. Na próxima, no sábado ou domingo, quero chamar só as mulheres”, disse o técnico, confiante na classificação de sua equipe às semifinais, o que provocaria o retorno do time à concentração em Teresópolis. “Vai ser assim. Se gostou, gostou. Se não gostou, vá para o inferno.” O técnico também se mostrou incomodado ao ser questionado sobre ter ouvido a opinião dos jornalistas mais próximos a ele em relação ao esquema tático a ser adotado no duelo com os colombianos. “A conversa não foi sobre esquema, sobre quem poderia entrar. Foi uma conversa geral, sobre muitas coisas, falamos sobre tudo. Em certos momentos você deve conversar com outras pessoas e ouvir o que elas pensam, só isso”, desconversou, mostrando impaciência e negando ter sido influenciado pelos palpites dos seis convidados para a conversa da noite de segunda-feira.