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Felipão lamenta ‘pane’, pede desculpas e assume a culpa

Técnico admite que não foi capaz de fazer time recolocar nervos no lugar depois do primeiro gol: 'Deu um branco total, e aí não tinha mais o que a gente fazer...'

Por Giancarlo Lepiani, de Belo Horizonte - 8 Jul 2014, 19h57

“O clima no vestiário é horrível, mas não tem o que a gente fazer agora”, disse o técnico, que agora espera fazer o time se reerguer para a disputa de terceiro lugar: “Ainda temos uma partida a jogar”

O técnico Luiz Felipe Scolari assumiu a responsabilidade pela histórica derrota sofrida pela seleção brasileira nesta terça-feira para a Alemanha, 7 a 1, no Mineirão. “O resultado catastrófico pode vir a ser dividido por todo o grupo porque meus jogadores querem isso, eles também pretendem assumir a culpa. Mas as escolhas são minhas, o responsável fui eu”, disse o técnico, tentando disfarçar o abatimento, pouco depois do duríssimo revés que acabou com o sonho do hexa em casa. “Peço desculpas à torcida e ao povo, é claro. Desculpas porque não conseguimos chegar à final da Copa do Mundo. Mas vamos continuar tentando honrar a nossa camisa na decisão do terceiro lugar.” Felipão atribuiu o desastre de Belo Horizonte a uma “pane” sofrida pela equipe depois de levar o primeiro gol, logo aos 10 minutos de jogo. “Até o primeiro gol, estávamos até melhores do que eles no jogo. Houve um descontrole, e isso não é normal, claro. Ainda tivemos algumas chances, criamos alguma coisa a mais. Mas perdemos o jogo para uma grande seleção. Nem eles sabem como isso aconteceu, com cinco chances e cinco gols naquele primeiro tempo.”

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Felipão reconheceu também que não foi capaz de fazer a sua equipe recolocar os nervos no lugar. “Deu um branco total. Tentávamos falar com o pessoal para organizar um pouquinho, mas não tinha o que fazer naquele momento.” Scolari também disse que não tem o que fazer para reverter o abatimento dos jogadores nesta terça. “O clima no vestiário é horrível, mas não tem o que a gente fazer agora, na primeira ou na segunda hora depois da partida. Vamos começar a tentar mudar o ambiente apenas quando voltarmos. Ninguém esperava esse resultado, e agora é trabalhar em cima disso para estarmos recuperados para o sábado”, afirmou o treinador, que falou várias vezes sobre o compromisso que encerra a participação brasileira na Copa, na decisão de terceiro lugar, em Brasília. “Tem mais uma partida para a gente jogar.” O técnico da seleção se negou a falar sobre seu futuro à frente da equipe, dizendo que “não é o momento de tratar disso”.� Ainda assim, afirmou que não sente estar em dívida com o torcedor depois do resultado desta terça. “Foi uma derrota horrível, mas fiz o meu trabalho da forma como achei que seria melhor.”

Transtorno – O técnico da seleção garantiu que não se arrependeu de ter escolhido Bernard para ocupar a vaga de Neymar na semi. “Me arrepender por quê? Estava tudo organizado até a hora do primeiro gol. Depois é que nos desorganizamos, ficamos um pouco em pânico e as coisas foram acontecendo naturalmente pra eles e dando errado para nós. Não tem arrependimento. Deu errado hoje, e pronto. Não adianta ficar buscando outras coisas que não são realidade. Não vai acontecer nada assim nunca mais, nem para a Alemanha, nem para nós.” Felipão também afirmou que não acredita que a presença de Neymar na partida teria mudado os rumos do jogo. “Os alemães poderiam ter feito a mesma coisa com o Neymar em campo. Ele não teria como ajudar a defender aquelas jogadas que resultaram nos gols deles. Não vamos arranjar desculpas, nem sobre Neymar, nem sobre as emoções do time. O que aconteceu foi que a Alemanha conseguiu fazer seus gols naqueles minutos de transtorno.” Por fim, Felipão falou sobre como o jogo desta terça ficará marcado para ele. “Se eu for pensar na minha trajetória como jogador e treinador, foi o pior dia da minha vida, mas ela continua. Eu serei lembrado por essa derrota, mas era um risco que eu sabia que ia assumir quando voltei à seleção.”

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