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Felipão ‘dá um desconto’ por inatividade, mas cobrará mais

Técnico diz compreender as falhas apresentadas no início do jogo desta terça e prevê grande evolução até estreia na Copa: 'É continuar nesse mesmo ritmo'

“Se nada de errado acontecer até lá, todos jogam. E a ideia é colocar em campo 100% do time que estreará contra a Croácia”, disse Felipão sobre o amistoso de sexta, em que ninguém será poupado

Depois da bronca que Luiz Felipe Scolari deu em seus jogadores no treino de domingo, quando a equipe errou demais num coletivo na Granja Comary, era de se esperar que o técnico da seleção brasileira fizesse uma avaliação impiedosa do início de partida confuso e irregular do time nesta terça-feira, na goleada sobre o Panamá, em Goiânia. Mas Felipão disse compreender o que motivou os problemas de sua equipe na primeira metade da etapa inicial, quando o time quase não atacou e ainda perdeu muitas bolas em falhas tolas. “O que a gente deve lembrar neste momento é de que o grupo jogou junto pela última vez há três meses”, disse o treinador, em referência ao amistoso contra a África do Sul, em Johannesburgo. “Dá para dar um certo desconto. Mas as coisas poderiam ter sido bem diferentes se a gente estivesse jogando contra uma seleção de nível maior”, reconheceu. Felipão diz abertamente que ainda falta muita coisa até que o Brasil se considere preparado para estrear na Copa do Mundo, contra a Croácia, no dia 12. O técnico, no entanto, parece não ter dúvidas de que será capaz de resolver as deficiências a tempo.

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“Os jogadores ainda não se encontram prontos, isso fica claro. �Em sete dias não dá para fazer tanta coisa assim. Mas acho que o teste valeu a pena, e agora é continuar no mesmo ritmo. No jogo contra a Croácia vamos estar num nível bem maior”, aposta Felipão. De acordo com ele, o início claudicante do time nesta terça foi resultado de um erro de posicionamento. “A nossa conexão da defesa para o meio não estava correta. A gente estava totalmente desarrumado. Só depois começamos a nos ajeitar em campo”, avaliou. “A equipe do Panamá estava muito recuada, não tinha espaço para jogar. Quando o Oscar recuou para fazer uma troca de posição com o Ramires, ele arrumou o setor do meio para a frente e aí começamos a criar.” Felipão disse ter visto uma evolução na equipe, mas acredita já ter corrigido algumas falhas do time no coletivo que tanto o irritou. “Minha preocupação continua, mas não no mesmo nível do treino de domingo. A gente estava totalmente aberto aos contra-ataques. Nossa equipe tem qualidade para marcar sempre um ou dois gols. Se o posicionamento for correto para evitar o contragolpe, teremos sempre uma boa chance de vencer.”

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Felipão se disse satisfeito com o futebol exibido pela equipe principalmente no segundo tempo, quando vários reservas tiveram a chance de jogar. “Foi quando houve muito mais movimentação, mais acerto nos passes.” Depois de explicar, na véspera do jogo, que esperava rever o mesmo estilo de jogo e a mesma pegada da equipe que foi campeã da Copa das Confederações, Felipão disse que os elementos principais daquele time vencedor foram “razoavelmente aplicados” nesta terça. “Estou sempre cobrando mais porque essa é a função do técnico, mas às vezes é preciso entender qual é o momento do time. Ainda falta muita coisa, mas é preciso ter calma para chegar lá.” E para isso, nada de descansar o elenco no amistoso de sexta, contra a Sérvia: Scolari já avisou que não pretende poupar nenhum de seus titulares, incluindo o craque Neymar, “que ficou muito tempo parado em seu clube e precisa de ritmo”. “Ninguém ficará de fora, nem os três que permaneceram na Granja Comary”, disse ele, em referência a Thiago Silva, Fernandinho e Paulinho. “Se nada de errado acontecer até lá, todos jogam. E a ideia é colocar em campo 100% do time que estreará contra a Croácia.”