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Federação paraguaia concede perdão e Amarilla está liberado para apitar

Árbitro e assistentes que trabalharam na eliminação do Corinthians para o Boca, em 2013, estavam suspensos desde a revelação de conversa suspeita

Por Da Redação 10 jul 2015, 10h27

O árbitro paraguaio Carlos Amarilla, que estava suspenso preventivamente desde que escutas telefônicas levantaram suspeitas sobre sua escalação em partida da Copa Libertadores de 2013, entre Corinthians e Boca Juniors, foi liberado para voltar a apitar nesta quinta-feira. A Associação Paraguaia de Futebol (APF) comunicou que o árbitro e seus assistentes naquele jogo poderão trabalhar no Campeonato Paraguaio.

“A Associação Paraguaia de Futebol e a Comissão de Árbitros reitera a confiança na honorabilidade e na trajetória dos árbitros mencionados, dignidade e prestígio que não foram afetados pela determinação administrativa anterior”, diz o comunicado divulgado pela federação. O trio de arbitragem formado por Amarilla e pelos auxiliares Rodney Aquino e Carlos Cáceres, que trabalharam com ele na partida entre Corinthians e Boca, estavam suspensos preventivamente desde o dia 24 de junho.

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O trio de arbitragem teve atuação desastrosa na partida de volta entre Corinthians e Boca, nas oitavas de final da Libertadores de 2013. Amarilla anulou dois gols do Corinthians por impedimentos inexistentes e ainda deixou de marcar dois pênaltis para a equipe paulista. Com o empate por 1 a 1, o Boca Juniors avançou na competição. Os erros de Amarilla voltaram a ser discutidos no fim do mês passado, graças à divulgação de uma conversa entre Abel Gnecco, representante argentino da Comissão de Árbitros da Conmebol, e Julio Grondona, ex-presidente da federação argentina, morto em 2014.

Nas escutas telefônicas, gravadas dias depois da eliminação do Corinthians e divulgadas pelo programa argentino La Cornisa, da TV América, Gnecco diz a Grondona que negociou com o paraguaio Carlos Alarcón, chefe da arbitragem da Conmebol, a escalação de Amarilla na partida. “Assim foi, a Conmebol colocou (o Amarilla) e deu tudo certo, porque tem que ser assim…”, disse Gnecco, que foi árbitro nas décadas de 70 e 80. Grondona, por sua vez, disse que Amarilla foi “o maior reforço do Boca no ano”. O tom da conversa levantou suspeitas e o Corinthians solicitou a Conmebol que investigasse o caso.

https://youtube.com/watch?v=QdD7zHX3I1Y%3Frel%3D0

Amarilla negou diversas vezes que tenha prejudicado o Corinthians de forma intencional e disse que “o futebol é um esporte de seres humanos”, em entrevista ao canal SporTV na semana passada. Ele admitiu ter errado apenas em um lance, no qual o lateral Marin, do Boca, tocou a mão na bola dentro da área. O árbitro disse que estava encoberto no lance e, por isso, não viu a penalidade.

Abel Gnecco também falou sobre o caso e negou que tenha escolhido Amarilla para beneficiar o Boca. “Amarilla fez isso sem querer, são erros que qualquer árbitro pode ter. E há erros do assistente, ele não pode ver os impedimentos”, disse ao jornal argentino Olé. Ele também defendeu o morto Grondona por sua declaração. “Ele disse isso porque não queriam o Amarilla aqui. E falou com ironia que terminou sendo um reforço do Boca. Ele falou sem má-fé, foi um comentário de boleiro”. Nas gravações, Grondona admite que comprou auxiliares na semifinal da Libertadores de 1964, entre Santos e Independiente, para beneficiar o time argentino, do qual era presidente.

(com Gazeta Press)

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