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Falta de neve compromete a prova mais radical dos Jogos

Atrasos, reparos, lama e areia: a vida dos atletas do snowboard tem sido um verdadeiro calvário, resultado da temperatura alta demais para a manutenção ideal dos locais de prova

Por Alexandre Salvador 11 fev 2014, 10h11

“A parte de baixo, no chão do tubo, é só areia e lama”, disse o americano Shaun White

Se o nível técnico ou os malabarismos do snowboard em Sochi não forem tão espetaculares como de costume, não culpe os atletas. A falta de emoção é consequência das condições precárias da pista montada em Krasnaya Polyana, município a 40 quilômetros do parque olímpico de Sochi e que está recebendo as provas de montanha dos Jogos de Inverno de 2014.

Fosse apenas uma reclamação isolada, era algo a se relevar. Mas os competidores têm repetido quase em jogral os problemas do halfpipe montado para o evento. A principal falha, segundo os atletas, é a falta de neve na pista, o que a torna mais lenta e instável. “A parte de baixo, no chão do tubo, é só areia e lama”, disse o americano Shaun White, atual bicampeão olímpico. “Está muito pesado. À medida que todo mundo passa pela pista, vira tudo um lamaçal.”

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O problema não é só a falta de velocidade, mas também as quedas ocasionadas pelo terreno fora das condições ideais. “Quando você vê todos os outros caírem é porque algo está errado”, disse a americana Hannah Teter, ouro nos Jogos de Turim, em 2006, e prata em 2010. “Vi mais pessoas caírem hoje no que na temporada inteira. É um pouco perigoso.”

Por causa dos problemas da pista, os organizadores têm fugido das sessões diurnas. Um dos treinos já foi cancelado e o cronograma da fase final do halfpipe pode sofrer alterações (a final está prevista para as 21h30 em Sochi, 15h30 em Brasília). Na coletiva de imprensa diária feita com porta-vozes do COI e da organização dos Jogos de Sochi, foi confirmada outra ação inevitável: parte da neve armazenada do inverno já foi usada para conter o rápido derretimento da pista de neve.

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