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Fabiana Beltrame busca adaptação com nova parceira

Por Leonardo Maia

Rio – Fabiana Beltrame gosta da solidão e isolamento de seu esporte. Quando está dentro do single skiff leve, a cortar as raias de competição, se sente em casa. Nada a perturbá-la, só a pressão pela vitória. Foi assim que conquistou o título mundial de remo e a etapa de Hamburgo da Copa do Mundo, no ano passado, ambos feitos inéditos para a modalidade no Brasil. Mas agora ela tem uma nova rotina e precisa se adaptar. A solidão deu lugar à parceria e a remadora precisa conviver com outra personalidade a seu lado.

Desde fevereiro, Fabiana treina com Luana Bartholo para a disputa do double skiff leve nos Jogos de Londres. Como o single skiff leve não faz parte do programa olímpico, ela teve de mudar para o barco duplo para realizar o sonho de disputar a Olimpíada. Agora, quer aproveitar a experiência para amadurecer e não apenas se desenvolver esportivamente. “Treinei muito tempo sozinha. Só tinha que me preocupar comigo. A transição para a dupla foi um pouco complicada”, diz a catarinense de 29 anos.

As personalidades de uma e de outra são bem antagônicas. A campeã do mundo é reservada, fechada, prefere as coisas do seu jeito e não gosta de gastar palavras sem necessidade. Quando fala alguma coisa, ela realmente quer dizer aquilo. Luana é extrovertida, alegre e jovial. Procura se divertir no trabalho e usa a descontração como forma de relaxar e amenizar a pressão. Até aqui, o relacionamento das novas parceiras caminha bem.

“Eu sou mais séria. Ela é mais extrovertida. Tem um equilíbrio legal. Acho que cada uma está pegando um pouco da personalidade da outra”, compara Fabiana. “A Fabiana é muito tranquila, muito ponderada na hora de me passar a experiência dela”, conta Luana, que não é tão mais jovem assim do que a companheira. A carioca tem 27 anos, pratica o remo há 10, mas apenas em 2010 passou a se dedicar integralmente ao esporte, inspirada justamente no sucesso de Fabiana.

Agora, Luana tem Fabiana como tutora e companheira de barco. Mas admite que ainda a vê com adoração. “A Fabiana tem muito cuidado de insistir comigo para que eu não sinta a pressão do título mundial dela, que isso não significa que tenhamos de vencer a Olimpíada”, diz a remadora. “Mas não tem jeito. O título dela é um peso muito grande sim.”

A missão da dupla não é fácil. Para conquistar a medalha olímpica, terão de superar o pouco tempo de treinamento juntas. A parceria foi formada apenas em fevereiro e teve apenas 40 dias para se entrosar e conquistar a vaga na Olimpíada. A classificação veio com o segundo lugar no Pré-Olímpico de Tigre, na Argentina, em março. Mas, para subir ao pódio em Londres, o salto evolutivo teria de ser muito grande e muito rápido. “Vamos fazer nosso melhor e pensamos em pódio. Mas é muito difícil, principalmente o ouro. O foco é mesmo o Rio, em 2016”, avalia Fabiana, mãe da pequena Alice, de quase três anos.

As duas remadoras do Flamengo fazem parte do programa Esporte & Cidadania, coordenado pela Instituto Passe de Mágica, da ex-jogadora de basquete Magic Paula. O projeto recebe recursos da Petrobrás e beneficia atletas de cinco confederações: remo, esgrima, levantamento de peso, boxe e tae kwon do. Esportes individuais que podem render muitas medalhas.

Neste ano, a Petrobrás vai investir R$ 18 milhões no programa e prevê bons resultados já em Londres, onde 21 esportistas apoiados pelo programa vão competir. Mas a meta é o próximo ciclo olímpico, a culminar com os Jogos do Rio, em 2016.