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‘F1 elétrica’ terá duelos Piquet x Prost x Senna nas pistas

Categoria Fórmula E, somente com carros movidos a eletricidade, terá 1ª prova na China com os herdeiros Bruno Senna, Nelsinho Piquet e Nicolas Prost

Por Luiz Felipe Castro - 24 ago 2014, 08h49

O tradicional ronco dos motores sai de cena para dar lugar a máquinas não poluentes, movidas a bateria, e que servirão de laboratório para que se desenvolvam itens que equiparão os automóveis à venda nas lojas em breve – da mesma forma como a Fórmula 1 exporta tecnologia aos carros “normais”. No próximo mês, a cidade de Pequim, na China, vai receber a primeira prova da Fórmula E, categoria de monopostos com vinte carros totalmente movidos a energia elétrica. Junto com a nova tecnologia em carros de competição, a Fórmula E promete outra nova – na verdade, renovada – emoção: a reedição das disputas Piquet x Prost x Senna dos bons tempos da F1. Isso porque estão inscritos na categoria os pilotos Bruno Senna (sobrinho do tricampeão Ayrton), Nelsinho Piquet (filho de outro tricampeão, Nelson) e o francês Nicolas Prost, filho do tetracampeão Alain. Ao todo, os três sobrenomes carregam dez títulos mundiais de F1.

A nova categoria é chancelada pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e tem como sua principal meta desenvolver e divulgar a tecnologia elétrica que deve ser usada em carros de rua no futuro. Mas, além do apelo ambiental, o campeonato usa outras estratégias para levar o carro elétrico para mais perto das pessoas, entre eles vários pilotos que já passaram pela F1, mulheres ao volante e todas as dez etapas realizadas em circuitos urbanos. Para os brasileiros, um estímulo especial: além de Bruno Senna e Nelsinho Piquet, a temporada que começa em 13 de setembro, em Pequim, e termina em 27 de junho de 2015, em Londres, terá um terceiro conterrâneo na pista, Lucas di Grassi.

Os três brasileiros têm passagens pela F1, da mesma forma como outros oito pilotos, entre eles o italiano Jarno Trulli, o alemão Nick Heidfeld e o espanhol Jaime Alguersuari. Duas das mais tradicionais escuderias da Fórmula 1 participam do projeto: a McLaren fornece o motor elétrico e a Williams desenvolveu a bateria. De acordo com Di Grassi, que correu a temporada 2010 da F1 pela Virgin Marussia, há semelhanças entre as categorias. “Esteticamente, os carros são bastante parecidos. A principal diferença é que na Fórmula E o carro tem bateria e motor elétrico e não tanque de combustível e motor a combustão. Por enquanto, os elétricos chegam a 225 km/hora, bem abaixo dos carros da F1, mas a tendência é que a velocidade aumente à medida que a tecnologia se desenvolva.”

Todas as dez corridas da temporada serão em circuitos de rua, no centro das cidades. Buenos Aires, na Argentina, e Punta Del Este, no Uruguai, serão os circuitos sul-americanos no calendário. O Rio de Janeiro esteve perto de receber uma corrida. “Não deu certo porque a prefeitura do Rio disse que não conseguiria construir a pista. Mas o Brasil é um mercado muito importante de automobilismo e acho que haverá uma corrida no futuro”, diz Di Grassi. No Brasil, a temporada será transmitida pelo canal a cabo Fox Sports.

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Uma das provas da Fórmula E será em Londres
Uma das provas da Fórmula E será em Londres VEJA

Carro de Fórmula E, desenvolvido pela Renault
Carro de Fórmula E, desenvolvido pela Renault VEJA

Parada de uma corrida de Fórmula E
Parada de uma corrida de Fórmula E VEJA

Fórmula E
Fórmula E VEJA

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Motor silencioso

Os carros de Fórmula E são bem menos barulhentos que os de outras categorias – além de não emitir gases poluentes. Ao atingir 100 km/h, os carros geram, no máximo, 85 decibéis. “É um barulho natural, que se assemelha ao de um avião a jato. Os fãs mais tradicionais sentirão falta do ronco do motor. Cidades como Miami e Los Angeles, ambas nos EUA, só a Fórmula E pode correr, pois existe um limite de ruído que os carros podem produzir”, conta Di Grassi. No vídeo acima, uma amostra do novo “ronco” do automobilismo. 

Calendário da Fórmula E
Calendário da Fórmula E VEJA

Pilotos da primeira temporada de Fórmula E
Pilotos da primeira temporada de Fórmula E VEJA

Piquet, Senna e Prost

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Ayrton Senna, Nelson Piquet e Alain Prost, no pódio do GP de San Marino em 1988
Ayrton Senna, Nelson Piquet e Alain Prost, no pódio do GP de San Marino em 1988 VEJA

Três dos maiores pilotos da história do automobilismo, Nelson Piquet, Ayrton Senna e Alain Prost se enfrentaram em 128 corridas, entre 1984 e 1991. No retrospecto direto, o francês leva vantagem, com 35 vitórias, contra 33 de Senna e 13 de Piquet. Prost conquistou três de seus quatro títulos mundiais durante este período. Os três campeões dividiram o pódio em seis oportunidades: nos GPs da Itália de 1985, Hungria e Estados Unidos de 1987, San Marino (foto) e Austrália de 1988 e Estados Unidos em 1991.

Títulos:

Nelson Piquet: 3 (1981, 1983 e 1987)

Ayrton Senna: 3 (1988, 1990 e 1991)

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Alain Prost: 4 (1985, 1986, 1989 e 1993)

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Rivalidade – Vinte e três anos após o adeus de Nelson Piquet da Fórmula 1, os três sobrenomes históricos voltarão a se encontrar em uma pista de corrida. Bruno Senna, Nelsinho Piquet e Nicolas Prost jamais estiveram juntos em um mesmo campeonato, mas se conhecem de outras categorias e, pelo menos até o momento, não têm qualquer tipo de inimizade. “Tenho boa relação com ambos e, desde que o respeito continue na pista, tudo segue na paz. Ainda não conversei com o Nelsinho sobre esta coincidência, mas vamos falar em breve e dar risada disso tudo”, disse Bruno.

O sobrinho de Ayrton considerou que a participação dos três pode ser usada como uma estratégia de marketing, mas ele não pensa em apenas vencer um ou outro. “Acho que vai ser bem interessante para o público e talvez atraia um pouco do pessoal que curte F1. Mas o alvo é ser competitivo e vencer quem estiver pela frente.”

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Nos últimos testes no circuito de Donington, na Inglaterra, Prost levou a melhor sobre os brasileiros, assim como fez o seu pai no confronto direto com Nelson e Ayrton entre 1984 e 1991. Nicolas fez o segundo melhor tempo, atrás apenas de seu compatriota e companheiro de equipe Sebastién Buemi. Bruno fez o quarto melhor tempo e Di Grassi foi o sexto. Nelsinho, da China Racing, foi o 11º.

Segundo Bruno, os primeiros testes serviram para avaliar a confiabilidade do carro. “É difícil dizer quem são os favoritos ao titulo, mas sabemos que o nível do campeonato está altíssimo. Provavelmente é o campeonato mais competitivo atualmentem, depois da F1. Creio que estaremos desde o começo entre os cinco primeiros. Mas só vai dar para saber quando chegarmos à China.” Ele citou Buemi, Di Grassi, Piquet, Alguersuari, Heidfeld, Trulli e Da Costa como principais adversários. Prost ficou de fora.

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