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Ex-manda-chuva da natação brasileira, Coaracy Nunes morre aos 82 anos

Internado desde o fim do mês passado, dirigente liderou período de vitórias do esporte aquático do país, mas acabou condenado por irregularidades na gestão

Por Alexandre Salvador, Luiz Felipe Castro - Atualizado em 14 maio 2020, 19h57 - Publicado em 14 maio 2020, 13h11

Morreu na manhã desta quinta-feira, 14, o ex-presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, Coaracy Nunes Filho. O dirigente mais longevo da natação nacional (ficou 28 anos no cargo) estava internado em um hospital da Barra da Tijuca, no Rio, desde o último dia 25.

Com a saúde bastante debilitada nos últimos anos, Coaracy foi submetido a uma cirurgia de emergência no cérebro – ele estava em fase terminal da doença de Alzheimer – e não despertou mais após o procedimento. Segundo relato de uma de suas filhas, Luciana, o ex-manda-chuva da CBDAfez sua passagem de forma tranquila” aos 82 anos.

Trajetória de altos e baixos – Alçado ao comando da natação brasileira em 1988, Coaracy Gentil Monteiro Nunes Filho promoveu uma série de mudanças estruturais na entidade (a começar por seu nome, que passou a abarcar as outras modalidades disputadas na água). O dirigente foi um dos grande articuladores do patrocínio dos Correios à CBDA, firmado em 1991 e que durou até o ano passado.

A injeção de mais recursos nas piscinas propiciou um dos períodos mais vitoriosos da natação brasileira. Nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992, foi o próprio Coaracy que brigou com a organização local por um erro no cronômetro da disputa dos 100 metros nado livre. O paulista Gustavo Borges, que bateu na parede em segundo lugar, apareceu no placar eletrônico oficial em oitavo.

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O presidente da CBDA desceu das arquibancadas e foi protestar com os árbitros da prova. Depois de duas revisões em vídeo, Gustavo pôde enfim comemorar o resultado e receber sua medalha de prata. “O que aconteceu ali é que o Coaracy estava muito em cima dos juízes. Reza a lenda que na primeira análise o juiz tomou uma decisão com base na raia errada. O Coaracy, então, botou pressão para analisarem todas as raias e aí sim viram que houve um equívoco”, recordou Gustavo Borges, que se disse abalado com a morte do dirigente.

“Recebi a notícia com tristeza. Sempre tive uma boa relação com o Coaracy. Claro que a gestão dele teve altos e baixos, mas neste momento prefiro ressaltar os altos. Ele esteve presente em as minhas participações e medalhas olímpicas, seu trabalho e entusiasmo atraíram patrocinadores, então ele teve uma participação importante”, disse o ex-nadador de 47 anos.

Entre aquela prata de Barcelona-1992 e a Rio-2016, o esporte aquático brasileiro subiu ao pódio olímpico outras oito vezes. Destaque para ouro conquistada por Cesar Cielo em Pequim-2008 (50m livre) e a primeira medalha olímpica vencida por uma nadadora brasileira: o bronze de Poliana Okimoto, na maratona aquática (10 km) dos Jogos do Rio de Janeiro.

Mas foi justamente após esta última conquista que Coaracy enfrentou o momento mais difícil de sua carreira. Em outubro de 2016, o presidente e outros três diretores da CBDA foram afastados de seus cargos após as denúncias feitas pelo Ministério Público Federal. Em uma operação batizada como “Águas Claras”, a Polícia Federal chegou a realizar a prisão do dirigente, em função de desvios de verba pública em licitações fraudulentas de viagens e apropriação de recursos pagos à entidade a título de premiação dos atletas.

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Coaracy foi condenado, em primeira instância a 15 anos e 7 meses de prisão pelos crimes de organização criminosa, fraude à licitação e peculato ligados a irregularidades cometidas entre 2014 e 2015 em contratos e convênios da confederação – ele recorria da sentença em liberdade. Além do ex-presidente, o ex-diretor executivo Ricardo de Moura, à época coordenador técnico de natação da entidade, e ex-diretor financeiro da Confederação, Sérgio Alvarenga, também foram condenados. O ex-coordenador técnico de polo aquático Ricardo Gomes Cabral, foi absolvido por falta de provas.

Confirmada a morte de Coaracy, a CBDA divulgou breve nota sobre o ocorrido:

A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos informa, com pesar, o falecimento de Coaracy Nunes Filho. Ex-presidente da CBDA, ele faleceu na manhã desta quinta-feira (14), em um hospital do Rio de Janeiro, de causas ainda não divulgadas.

Coaracy Nunes Filho foi eleito presidente da CBDA em 1988 e reeleito sucessivamente até 2013. Além de mandatário na Confederação, Coaracy foi presidente da CONSANAT e da UANA. Ele também fez parte do Bureau da Federação Internacional de Natação (FINA).

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A CBDA lamenta o falecimento de Coaracy Nunes Filho e se solidariza aos familiares e amigos do ex-presidente.

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