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Ex-atletas francesas denunciam casos de abuso sexual de treinadores

Supostos crimes foram revelados por patinadoras, nadadoras e tenistas ao diário 'L'Équipe'. Na maioria dos casos, vítimas eram menores de idade

Por EFE 29 jan 2020, 12h35

Ex-atletas de natação, patinação e natação francesas denunciaram, em entrevista publicada nesta quarta-feira, 29, pelo jornal L’Équipe, casos de abuso sexual cometidos por seus treinadores, a maior parte quando ainda eram menores de idade.

Hélène Godard, Béatrice Dumur e Anne Bruneteaux, ex-patinadoras, contam como no final dos anos 70, quando eram adolescentes, foram assediadas por três treinadores e ex-campeões franceses: Didier Gailhaguet, Jean-Roland Racle e Gilles Beyer.

Nenhuma delas havia relatado aos tribunais os supostos crimes, que em alguns podem ser classificados como “estupros”, e que agora já prescreveram. No entanto, elas esperam que outras atletas também falem e recorram à Justiça.

Na mesma linha, ex-nadadoras como Elisabeth Douet, Frédérique Weber e Isabelle Chaussalet contam como foram agredidas sexualmente no centro de Font Romeu, nos Pirineus, por Christophe Millet, um treinador na época e que foi condenado por atentado ao pudor nos anos 90.

A ex-tenista Isabelle Demongeot, que está engajada há anos na luta contra a agressão sexual no esporte, foi uma jogadora-chave no julgamento contra seu ex-técnico Régis de Camaret, que foi condenado em 2014 a dez anos de prisão por abuso sexual de menores.

  • Em uma reação inicial, a ministra do Esporte da França, Roxana Maracineanu, ex-campeã de natação, agradeceu a essas mulheres pelos relatos.  “É importante porque o esporte estabelece uma relação particular com o treinador, no qual todos têm confiança em prol dos resultados. Mas os resultados não justificam tudo”, comentou a ministra em entrevista ao “France Info”.

    Um dia antes da publicação do L’Équipe, a ex-patinadora Sarah Abitbol, ​​dez vezes campeã da França, lançou uma autobiografia na qual contou ter sido estuprada elo técnico Gilles Beyer na adolescência. “Não é fácil dizer aos 44 anos que você foi estuprada aos 15 anos. Eu nunca disse essa palavra, exceto uma vez antes ao meu psiquiatra, 14 anos depois. Ainda hoje, tenho uma grande dificuldade”, citou, em um dos trechos.

    Contactados pelo jornal, os treinadores citados negaram as acusações ou se recusaram a dar entrevistas.

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