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Europeus driblam calor, mas criticam os ‘absurdos’ da Fifa

Técnicos de Itália e Portugal lamentaram horários dos jogos e falta de paradas técnicas para hidratação dos atletas nos jogos realizados no Norte e Nordeste

Por Giancarlo Lepiani, com fotos de Ivan Pacheco, de Manaus 16 jun 2014, 07h46

“Que fique claro: não acho um absurdo jogar em Manaus, mas sim jogar aqui sem o intervalo para hidratação”, disse Cesare Prandelli

Nos primeiros dias da Copa do Mundo no Brasil, uma das principais preocupações das seleções visitantes, em especial as europeias, acabou não se confirmando. Até agora, o calor das cidades-sede não foi um adversário capaz de parar as equipes mais fortes. A Holanda virou e goleou no duelo com a Espanha, em Salvador; Itália e Inglaterra fizeram um grande clássico no clima amazônico de Manaus; a Suíça arrancou uma vitória sobre o Equador com gol no último minuto, em partida iniciada às 13 horas, na seca e quente capital Brasília. Apesar desses resultados, os técnicos e atletas ainda reclamam – não do país da Copa e de suas condições climáticas, mas sim das decisões da Fifa, que marcou os jogos em horários pouco adequados e abriu mão de medidas que poderiam ter aliviado a situação (como a realização dos intervalos para a hidratação dos atletas na metade de cada tempo). Nesta segunda-feira, Alemanha e Portugal se encaram na Arena Fonte Nova às 13 horas (de Brasília), sob o calor baiano, enquanto Nigéria e Irã duelam às 16 horas, em Curitiba – e ninguém entendeu o que impediu que fosse justamente o contrário, com partidas nos primeiros horários em cidades mais frias e os jogos do fim do dia nas capitais mais quentes.

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Questionado sobre a decisão de chegar ao país bem perto da estreia na Copa – sua seleção foi uma das últimas a desembarcar -, o técnico de Portugal, Paulo Bento, rebateu lembrando que a Fifa poderia ter distribuído melhor as partidas pelas sedes. “Não há prejuízo algum no fato de Portugal ter sido uma das últimas seleções a chegar aqui”, disse ele na véspera da estreia da equipe. “Prejuízo mesmo são os jogos marcados para 13 horas, o que é ruim para jogadores, torcedores e todos os envolvidos “, disse o português, que classificou de “absurdo” o horário de sua estreia no Mundial. O mesmo termo foi usado por Cesare Prandelli, técnico da Itália, no sábado, depois de vencer a primeira partida, contra a Inglaterra, na Arena da Amazônia. “É um absurdo que não tenha sido permitida a parada técnica para hidratação. Que fique claro: não acho um absurdo jogar em Manaus, mas sim jogar aqui sem esse intervalo”, reclamou o italiano. “Se querem o melhor espetáculo possível, é preciso que as equipes sejam capazes de reagir ao esforço físico. E, aqui, vimos que isso às vezes não acontecia.” O técnico da Inglaterra, Roy Hodgson, não quis culpar o calor pela derrota: “O ritmo do jogo foi muito intenso, não vi sinais de que o calor tenha alterado o andamento da partida”.

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