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EUA investigam Del Nero por contratos da CBF

Justiça americana acredita que presidente da CBF pode ser o "coconspirador" citado em negociações com as empresas Traffic e Klefer

Por Da Redação - 6 jul 2015, 09h29

O presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, também vem sendo investigado pela Justiça americana. Fontes próximas à investigação informaram que a apuração já está em curso em Nova York, mas que nenhum detalhe será revelado até que existam provas suficientes para que o dirigente seja indiciado. Por enquanto, um dos principais focos do trabalho dos investigadores é traçar a origem e o destino de alguns depósitos da CBF.

A apuração se debruça sobre pagamentos feitos pelo empresário brasileiro José Hawilla, dono da Traffic e um dos principais delatores dos escândalos de corrupção no futebol. A Justiça aponta que Hawilla foi obrigado a compartilhar um contrato que tinha com a CBF com a empresa Klefer para os direitos da Copa do Brasil.

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Para o período entre 2015 e 2022, a Klefer pagaria à CBF 128 milhões de reais pelo torneio, minando a posição privilegiada que Hawilla tinha desde 1989. Para evitar uma guerra comercial, Hawilla e a Klefer entraram em entendimento. Mas só neste momento é que a Klefer informou que havia prometido o pagamento de uma propina anual a um cartola da CBF, cujo nome não foi revelado pelas investigações do FBI.

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Essa mesma propina teria de ser elevada a partir de 2012, quando dois outros membros da CBF entrariam em cena. Um deles é José Maria Marin, que segue preso na Suíça e aguardando o processo de extradição aos Estados Unidos.

Conspiração – Documentos revelados no dia 27 de maio pelo Departamento de Justiça dos EUA levantam a suspeita. Nenhum dos dois traz o nome de Del Nero, que nega que ele seja a pessoa indiretamente apontada nos informes. Num deles, um empresário informa Hawilla que o pagamento de propinas aumentou quando outros dois executivos da CBF – especificamente o “coconspirador #15” e “coconspirador #16” – também pediram propinas.

O documento explica que o coconspirador 15 era membro do alto escalão da CBF e membro da Fifa e da Conmebol – a descrição apenas pode ser preenchida por José Maria Marin. Naquele momento, ele era o presidente da CBF, membro da Fifa e da Conmebol.

O coconspirador 16 seria membro do alto escalão da Fifa e da CBF. Apenas Del Nero mantinha cargo na CBF (vice-presidente) e na Fifa (membro do Comitê Executivo). Se forem comprovadas suspeitas contra Del Nero, poderá haver um pedido de prisão ou extradição do presidente da CBF – o que dificilmente ocorreria caso ele não deixe o Brasil. Del Nero não viajou ao Chile para a Copa América e seu próximo compromisso no exterior seria no dia 20, em Zurique, para uma reunião da Fifa.

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Resposta – Procurada, a CBF enviou por e-mail a seguinte resposta: “O presidente da CBF desconhece qualquer procedimento investigativo envolvendo seu nome. Sua posição, em relação a questionamentos de toda natureza, é e será sempre de completa e irrestrita colaboração, sempre em conformidade com a lei e com a apresentação de fatos e dados objetivos que irão apenas corroborar a lisura de suas ações nas funções que ocupa ou ocupou. Se houver de fato uma investigação, ela vai concluir que o dirigente não teve qualquer envolvimento com propinas ou quaisquer irregularidades”.

Os presidentes da CBF, José Maria Marin, e da federação paulista, Marco Polo Del Nero, em audiência pública sobre a Copa de 2014, na Câmara, na semana passada
Os presidentes da CBF, José Maria Marin, e da federação paulista, Marco Polo Del Nero, em audiência pública sobre a Copa de 2014, na Câmara, na semana passada VEJA

(Com Estadão Conteúdo)

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