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Estreia do surfe confirma otimismo com ‘Brazilian Storm’

Candidatos à medalha de ouro, os campeões mundiais Ítalo Ferreira e Gabriel Medina debutaram nos Jogos com vitória em suas baterias

Por Luiz Felipe Castro Atualizado em 25 jul 2021, 06h00 - Publicado em 24 jul 2021, 22h38

A praia de Tsurigasaki, na região de Chiba, a cerca de 100km de Tóquio, registrou um momento marcante, que pode entrar para a história do esporte como o pontapé inicial de uma nova tradição O surfe, modalidade com apelo crescente entre os jovens e alinhada às preocupações ambientais que o século XXI exige, estreou no programa olímpico na noite deste sábado, 24 (manhã de domingo no Japão). A rodada inaugural confirmou o otimismo brasileiro: Gabriel Medina e Ítalo Ferreira, os maiores representantes da “Brazilian Storm” (Tempestade Brasileira, como é chamada a geração de talentos do país) venceram suas baterias e seguem na busca pela medalha de ouro.

Por ora, o surfe entrou nos Jogos como modalidade convidada, atendendo a uma preocupação do Comitê Olímpico Internacional (COI). De posse de estudos que apontavam uma relevante perda de audiência do público abaixo de 18 anos, decidiu incluir no evento modalidades que transitam bem entre a garotada, como skate, surfe e escalada esportiva, além de esportes populares no Japão, como beisebol e caratê. O cartão de entrada foi positivo, muito graças à ajuda dos brasileiros, últimos campeões da World Surf League, a principal competição da modalidade – Medina venceu em 2014 e 2018 e Ítalo em 2019.

  • O potiguar Ítalo Ferreira, 27 anos, teve a honra de vencer a primeira bateria olímpica da história do surfe. Mesmo com as condições adversas causadas pela proximidade de um tufão na costa japonesa, ele obteve um somatória de notas de 12.90 e avançou direto às oitavas de final, junto com o segundo colocado, o ídolo local Hiroto Ohhara, com 11.4. “Estou muito feliz, até arrepiado. Estava ansioso para essa estreia, mas depois que caí no mar e peguei a minha onda a coisa fluiu”, contou Ítalo à Rede Globo.

    Já o paulista Gabriel Medina, também de 27 anos, maior estrela do Brasil nos Jogos, teve dificuldades no início de sua bateria, mas mostrou por que é considerado um fenômeno da modalidade e, com boas manobras nos minutos finais, fechou com nota de 12.23, à frente de Michel Bourez, estrela taitiana que compete pela França, com 10.10.

    “É muito diferente do que a gente tinha, é um mundo muito profissional onde tem os melhores do mundo e eu fico feliz de fazer parte desse time. É um passo muito grande pro surfe, a gente está chegando no mundo inteiro. Eu sei o quanto importante e especial é”, afirmou Medina, ao Comitê Olímpico do Brasil (COB).

    Além da dupla brasileira, de Ohhara e Bourez, avançaram diretamente às oitavas o japonês Kanoa Igarashi, o americano Kolohe Andino, o peruano Lucca Mesinas, o australiano Owen Wright, e o marroquino Ramzi Boukhiam. Campeão da WSL em 2016 e 2017, o havaiano John John Florence, que defende os Estados Unidos, terá de disputar a repescagem, junto com outros surfistas de elite como o italiano Leonardo Fioravanti, o francês Jeremy Flores e o australiano Julian Wilson.

    As oitavas de final serão realizadas na noite de domingo, 25 (manhã de segunda no Brasil), a partir das 19h. A festa do surfe brasileiro ainda ficou completa já na madrugada com a classificação de Silvana Lima e Tatiana Weston-Webb às oitavas de final da chave feminina.

    “É bem diferente, eu estou arrepiada. É difícil acreditar que estamos aqui nas Olimpíadas surfando, é uma honra fazer parte de um grupo de atletas tão poderosos e eu sou muito grata”, afirmou Tatiana. “Eu estou vivendo um sonho. Depois de tudo que eu passei, na hora que eu estava ali veio um filme na minha cabeça, desde criança até eu chegar aqui. Sou muito abençoada e agradeço a Deus por essa oportunidade de fazer o que eu mais gosto e representar bem o meu país”, completou Silvana.

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