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Esporte, cultura e entretenimento: os planos do Consórcio para o Pacaembu

Contrato de concessão do estádio municipal foi assinado nesta segunda-feira

Por Da Redação - Atualizado em 16 set 2019, 15h06 - Publicado em 16 set 2019, 14h57

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB) assinou na manhã desta segunda-feira, 16, o contrato de concessão do estádio municipal Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu. O complexo esportivo, composto por uma piscina olímpica, duas quadras de tênis e ginásio poliesportivo, além do estádio de futebol, passará a ser administrado pelo Consórcio Patrimônio SP. No início do mês, ele depositou 79,2 milhões dos 115 milhões de reais acordados; o restante será pagos dentro do período de concessão, que é de 30 anos.

Com a concessão, a prefeitura espera economizar mais de meio bilhão. “Quando a gente soma o valor que a prefeitura vai deixar de gastar com o Pacaembu e quanto vai arrecadar em ISS, pelos serviços que serão prestados aqui, o investimento do concessionário, a gente chega num montante de 656 milhões de reais de ganhos para a cidade de São Paulo. É um valor vultuoso”, afirmou Bruno Covas em entrevista coletiva.

VEJA SP: Os planos para o novo Pacaembu

As obras de modernização começam em 60 dias. Uma das principais alterações previstas é a demolição do tobogã, arquibancada inaugurada no início da década de 1970. No seu lugar deverá ser erguido um prédio de cinco andares, com 44 mil metros quadrados de área construída.

Controvérsias

Apesar da assinatura, a demolição é polêmica. A Associação Viva Pacaembu abriu uma ação pedindo a análise pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pelos órgãos de conservação do patrimônio público (Conpresp e Condephaat). A praça Charles Muller e o Museu do Futebol ficaram fora da concessão.

O projeto prevê que o novo edifício tenha cafés, restaurantes, lojas, escritórios, espaços multifuncionais e o centro de convenções e eventos, construído no subsolo junto ao novo estacionamento. O térreo terá vista para o gramado e ao boulevard que será criado no local onde hoje fica o estacionamento do clube esportivo. Uma praça pública elevada irá conectar as ruas Desembargador Paulo Passaláqua e Itápolis.

“Vamos recuperar a vocação original do Pacaembu com esporte, cultura e, agora, também entretenimento. Será um complexo multifuncional”, afirmou Eduardo Barella, líder do consórcio.

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O consórcio afirma que o Pacaembu vai continuar recebendo jogos de futebol. O número mínimo será de 15 por ano. Em 2019 já foram realizados 46 jogos, a maioria de futebol feminino. A seleção brasileira disputou um torneio amistoso no mês de agosto.

Com a demolição do tobogã, o estádio deverá ter a sua capacidade reduzida de 39.000 para 26.000 lugares. O evento desta segunda-feira contou com a presença de dirigentes dos quatros grandes clubes de São Paulo. “O Pacaembu vai continuar recebendo jogos de futebol. Nossa intenção é aumentar sua utilização nesse sentido”, disse Barella.

O presidente do Santos, José Carlos Peres, negocia com os empresários uma parceria para poder mandar os jogos do time em sua “segunda casa” já a partir do segundo turno do Campeonato Brasileiro. “Está acertado. Falta apenas o modelo de negócio. Mas é certo que o Santos não gastará nada e apenas cederá a marca para exposição, garantindo os jogos do Pacaembu na linha de no mínimo 50% dos mandos”, disse Peres.

A CBF havia permitido o Pacaembu apenas para as nove primeiras rodadas do Brasileirão, mas, de acordo com o presidente do Santos, o estádio está liberado até dezembro deste ano, mesmo sem a iluminação mínima exigida (800 lux) – o espaço alcança só 600 lux.

Os custos para o aluguel no Pacaembu devem ser semelhantes – atualmente são de 23% da renda total, nas contas da diretoria santista. O Consórcio Patrimônio SP, capitaneado pela construtora Progen, estuda mudar o modelo para que o Santos receba percentual fixo da bilheteria.

O Santos fez 22 jogos como mandante em 2019 – 11 na Vila Belmiro e outros 11 no Pacaembu. Marcar partidas no Morumbi é uma possibilidade discutida pelo Peixe para manter o 50% prometido entre Baixada Santista e capital. No geral, a média de público na temporada é de 13.179.

(com Estadão Conteúdo e Gazeta Press)

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