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Escondido após dispensa, Marcos recebeu salário de rateio dos colegas

Por Da Redação 5 jan 2012, 07h06

O início da carreira de Marcos no futebol quase foi interrompido por uma lesão na tíbia da perna direita. Por conta do problema clínico, o ex-goleiro só foi mantido no Lençoense, seu primeiro clube, devido a uma estratégia da comissão técnica para ‘driblar’ o empresário japonês Nabu Naya, que tomava conta das categorias de base da equipe do interior.

‘O Naya queria reduzir custos, fez uma relação e mandou o Marcos embora, porque ele queria ficar com dois goleiros e pegar outros da cidade para completar o treinamento’, recorda João Sérgio de Moraes, ex-preparador físico e atual presidente do Lençoense.

Na época, Marcos morava em uma república com outros garotos das categorias de base, inclusive japoneses trazidos ao Brasil pelo empresário. Ao ser dispensado, o pentacampeão estava lesionado, mas foi levado por João Sérgio e também pelo preparador de goleiros Neno para a casa em que moravam os atletas profissionais, que era administrada pela diretoria do clube de Lençóis Paulista, e não pelo agente.

‘Dissemos ao Naya que ele tinha sido dispensado, mas isso tudo tinha sido combinado para que o Marcos continuasse o tratamento, até porque não poderíamos dispensar um jogador lesionado. Fizemos esta estratégia’, acrescenta João Sérgio, em conversa com a reportagem da GE.Net.

Depois de ‘esconder’ Marcos do empresário, o então preparador físico ainda encontrou a solução para manter o salário do ex-jogador, contando com a ajuda do restante do elenco da base.

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‘Combinei de pegar um pouquinho do salário de cada um para dar ao Marcos. Todos concordaram, porque ele já era uma excelente pessoa. Falei para os meninos que isso poderia ter acontecido com qualquer outro atleta. Todo mundo pegava uma parte de seu dinheirinho e continuávamos a vida contentes’, explica.

O ex-goleiro Barata, que era o titular do Lençoense durante o início da trajetória do ídolo palmeirense, reconhece que o time poderia ter se rebelado contra a dispensa do amigo.

‘Uma situação daquelas poderia ter revoltado o grupo, porque o próximo que se machucasse ficaria com medo de ser mandado embora. O Marcos ficou muito triste na época’, comenta o ex-jogador, que hoje é secretário de esportes de Agudos-SP.

O assunto gerou apreensão no clube na época, mas atualmente é tratado com bom humor. ‘Eu me lembro dessa história porque também sofri corte no meu salário (risos). Depois que foi afastada a chance de lesão mais grave, o Marcos seguiu para virar este ídolo que é hoje’, salienta o ex-ponta-esquerda Glauco, que também jogava no Lençoense, antes de virar advogado.

Assim que se recuperou do problema na perna direita, Marcos acabou reintegrado ao elenco das categorias de base do Lençoense e ficou no clube até 1992, quando se transferiu para o Palmeiras.

‘Depois que ele se recuperou, nós falamos que tínhamos trazido o jogador de volta, mas tudo isso era só conversa. Ele ficou sempre no clube e até os medicamentos que ele tomava nós colocávamos nos nomes dos outros atletas. Foi a estratégia que deu certo’, conclui, satisfeito, João Sérgio.

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