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Escândalo no atletismo: IAAF refaz testes e encontra 32 casos suspeitos de doping

Diante de uma série de acusações, entidade revela "resultados adversos" em reanálise. Atletas, que não tiveram identidade revelada, estão suspensos

Duas semanas depois de ser denunciada de ter encoberto 800 casos de doping entre 2001 e 2012, a Associação das Federações Internacionais de Atletismo (IAAF) anunciou nesta terça-feira que refez, com tecnologia mais avançada, a análise de amostras colhidas durante os Mundiais de Atletismo de 2005 a 2007. Nelas, encontrou mais 32 exames de 28 atletas com “resultados adversos”, o que pode indicar que os esportistas tenham competido dopados. Os atletas flagrados estão suspensos provisoriamente.

De acordo com a IAAF, essa reanálise começou em abril de 2015, graças a uma modificação no Código Mundial Antidoping, que ampliou de oito para 10 anos o período em que as amostras podem ser reavaliadas. Em 2012, a entidade já havia feito uma nova análise dos exames de urina colhidos no Mundial de Helsinque (Finlândia), em 2005, e punido seis atletas.

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Agora, as avaliações encontraram substâncias dopantes em 32 exames, feitos por 28 atletas. Nenhum nome foi divulgado, uma vez que esses esportistas primeiro precisam ser notificados para que possam se defender das acusações. A nacionalidade dos atletas e seus resultados nas competições também não foram revelados.

A IAAF informou, porém, que a grande maioria desses 28 atletas está aposentada. “Alguns são atletas que já foram punidos e apenas alguns continuam ativos no esporte”, informou a entidade, em comunicado. Nenhum dos atletas suspeitos vai participar do Mundial de Pequim, na China, que começa no próximo dia 22, garantiu a IAAF.

O órgão máximo do atletismo internacional lembra que os conhecimentos científicos de 2005 ou 2007 não eram suficientes para detectar as substâncias encontradas agora. “A ciência progrediu de forma significativa nesses últimos 10 anos e a IAAF se aproveitou das novas técnicas disponíveis. Dez anos pode parecer muito tempo para olhar para trás, mas a IAAF sempre se colocou para fazer o que for possível para proteger os atletas limpos”, escreve a entidade.

“A IAAF não nega o fato de que alguns atletas continuam trapaceando e fraudando seus adversários, mas fará todo o possível para proteger os atletas limpos, que formam a maior parte de nosso esporte”, finalizou a entidade.

Escândalo – Há duas semanas, o jornal britânico The Sunday Times e a emissora alemã ARD revelaram ter tido acesso ao resultado de 12.000 testes de sangue de 5.000 atletas ao longo de uma década. Estas informações foram tiradas do banco de dados da própria IAAF e vazadas por uma fonte não identificada. Os documentos levantam suspeitas sobre um terço das medalhas conquistadas em provas de resistência em Mundiais e Jogos Olímpicos disputados em uma década. De acordo com a análise, 800 atletas registraram testes de sangue com resultados suspeitos ou abaixo dos padrões da Agência Mundial Antidoping (Wada).

No fim de semana passado, o jornal britânico ampliou a abrangência da sua denúncia e, no domingo, trouxe a informação de que 34 vencedores de “grandes maratonas” (Berlim, Boston, Chicago, Londres, Nova York e Tóquio) entre 2001 e 2012 poderiam ter sido punidos por suspeita de doping. De acordo com o levantamento, sete de 24 campeões da Maratona de Londres eram atletas que em algum momento da carreira apresentaram resultados anômalos em seus exames antidoping. O jornal não citou nomes.

A entidade máxima do atletismo respondeu na segunda-feira, pedindo que seus parceiros tivessem mais cuidado com suas declarações e cobrando união da modalidade. No entanto, um vídeo publicado no mesmo dia mostrou diversos atletas, entre eles o campeão olímpico do lançamento de disco Robin Harting, dizendo que não confiam mais na IAAF.

Só quando o cerco começou a se fechar é que a IAAF abandonou a postura de negar todas as denúncias para, nesta terça-feira, apresentar o resultado da reanálise. A entidade alega ser a única que sistematicamente estoca as amostras antigas e conclamou outras federações internacionais a fazer o mesmo. A IAAF, entretanto, não explicou por que só agora resolveu anunciar o resultado desta reanálise e porque ela só contempla os Mundiais de Helsinque e Osaka. A denúncia feita pelos órgãos de imprensa trata de Mundiais até o de 2011 (incluindo indoor) e as Olimpíadas de 2004, 2008 e 2012.

(com Estadão Conteúdo)