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Escândalo de corrupção abala alicerces do futebol croata

Por Da Redação 13 dez 2011, 15h57

Vesna Bernardic.

Zagreb, 13 dez (EFE).- Condenações a prisão, multas milionárias e detenções de dirigentes são os ingredientes de um enorme escândalo por combinação de resultados que vem sacudindo nos últimos dias o futebol croata, afetado por uma trama de corrupção de grandes dimensões.

Em Zagreb, foram condenados nesta terça-feira 15 atletas e diretores de futebol de três clubes da primeira divisão: Varteks, Medjimurje e Croatia Sesvete. Todos eles deverão devolver 165 mil euros, e 13 pegaram até 10 meses de prisão.

A investigação do caso, conhecido como ‘Offside’, começou em 2009, depois que a Polícia alemã apresentou à croata informações sobre partidas arranjadas para beneficiar uma permutação de apostas esportivas.

Outros seis acusados foram condenados anteriormente a penas de prisão de sete a 14 meses, entre eles os organizadores e o treinador das categorias de base do Dínamo Zagreb, Vinko Saka, e dois eslovenos, Dino Lalic e Admir Suljic, que já foram condenados a um ano de prisão e a uma multa total de 1 milhão de euros.

Mas a grande bomba aconteceu na última sexta-feira, quando o vice-presidente da Federação Croata de Futebol (HNS), Zeljko Siric, e o presidente da comissão de árbitros, Stjepan Dedovic, foram detidos.

Os dois receberam dinheiro marcado, uma armadilha feita pela Promotoria e pelo presidente do Hajduk Split, Hrvoje Males, que lhes entregou 30 mil euros como primeira parte dos 95 mil euros que o Hajduk deveria pagar-lhes por uma ‘arbitragem honesta’.

O fato gerou uma avalanche de reações na imprensa, que acusa a cúpula do futebol croata de ficar presa em meio a um atoleiro de corrupção desde a década de 90.

Todos os comentaristas esportivos apontam a HNS, seu presidente, Vlatko Markovic, e o ‘verdadeiro chefe do futebol croata’, o diretor-executivo do Dínamo Zagreb, Zdravko Mamic.

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O Dínamo, eliminado da Liga dos Campeões após perder por 7 a 1 para o Lyon, em um jogo cercado de polêmica e sobre o qual também há suspeitas de irregularidades, é atual hexacampeão croata, mas agora vem sendo questionada a lisura de muitas das partidas que lhe deram essa honra.

‘Durante a última década, o futebol foi reduzido a pura corrupção, mais ou menos organizada’, comentou nesta segunda-feira em seu editorial o jornal ‘Jutarnji list’, de Zagreb.

O semanário ‘Nacional’, por sua vez, destaca que o esporte é um dos maiores focos de corrupção na Croácia e que a meta principal da investigação deveria ser o verdadeiro chefe do futebol croata, Mamic.

O diretor-executivo do Dínamo está envolvido também em vários outros escândalos, como o do brasileiro naturalizado croata Eduardo da Silva, atualmente no Shakhtar Donetsk.

Recentemente, Mamic ganhou um processo de 1 milhão de euros do atacante por conta de um contrato assinado há dez anos, mas Eduardo da Silva anunciou que recorrerá alegando que o contrato é ilegal, já que o assinou quando era muito jovem e convencido por mentiras ditas pelo dirigente.

‘Hoje em dia, não temos certeza de que nos últimos anos no grupo de elite houve um só clube que não ‘trabalhou’ com os árbitros’, comentou o jornal esportivo ‘Sportske Novosti’.

Espera-se que as detenções do vice-presidente da federação e do presidente da comissão de árbitros, que podem pegar entre cinco e dez anos de prisão, abra a porta a novas revelações.

O ‘Nacional’ informou que a Promotoria espera que, caso sejam condenados, os dois dirigentes denunciarão outros envolvidos no escândalo em troca de uma redução de penas.

Por sua vez, o Hajduk, eterno antagonista do Dínamo, reivindica o esclarecimento completo de todos os escândalos no futebol dos últimos anos. EFE

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