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Equipes detestam Interlagos: ‘A favela da Fórmula 1’

Funcionários das escuderias criticam falta de estrutura e apontam GP do Brasil como um dos piores do circuito. Organização promete reforma geral em 2015

Agenda da F1 em SP

Sábado, dia 8

11h-12h00: Terceiro treino livre

14 horas: Treino de classificação

Domingo, dia 9

14 horas: Largada da corrida

O circuito de Interlagos, em São Paulo, passou por uma extensa reforma para a 43ª edição do GP do Brasil de Fórmula 1, que acontece neste domingo. Nos últimos meses, foi feito o recapeamento total da pista, além da criação de uma nova área de escape na saída do S do Senna e do aumento da entrada dos boxes, entre outras alterações. As mudanças, definidas pelo prefeito Fernando Haddad como “a maior reforma desde 1990”, podem ter agradado os pilotos, mas a vida para quem trabalha fora dos carros ainda está dificil. “Honestamente, Interlagos é uma porcaria. É a favela da Fórmula 1”, disse um funcionário da Williams que cuida de uma série de equipamentos. Ele pediu para não ser identificado e fez questão de dizer que não fala em nome da equipe. “É o pior circuito de todos. O paddock é extremamente pequeno, não há condições de trabalhar. Até a nossa cozinha tem problemas. É muito cansativo. Meu desejo é que tudo isso acabe logo e eu volte para casa”, completou. De acordo com a organização do GP, estas reclamações serão atendidas no ano que vem.

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Funcionários de outras equipes também reclamaram, mas com menos veemência, e assinalaram que Interlagos tem muito a melhorar. “A estrutura aqui é muito pequena. No quesito instalações, o GP do Brasil é um dos piores”, revelou uma funcionária da Ferrari. Um empregado da Red Bull disse que a maior dificuldade está na montagem e desmontagem da estrutura das equipes em um espaço tão reduzido.

Jornalistas estrangeiros que cobrem a F1 também falam em mudanças. “Não sei dizer se é o pior, mas é um circuito muito antigo. Melhorou bastante, porque antes, quando chovia, havia vazamentos até na sala de imprensa”, lembrou o inglês Tony Dodgins, da BBC, que cobriu sua primeira corrida em 1992. O japonês Kunio Shibata também criticou a estrutura, mas fez uma ressalva. “Aconteceu o mesmo com o circuito de Suzuka. Com o passar dos anos, ele se tornou obsoleto e recebeu muitas críticas até ser reformado e se modernizar.” Em compensação, o experiente italiano Pino Allievi, do diário Gazzetta Dello Sport, acredita que a etapa brasileira, mesmo sob estas condições, tem seu charme. “Adoro estar aqui, Interlagos é uma das pistas mais fascinantes de todo o circuito. A torcida está próxima, podemos caminhar por toda a pista, tem a vista da cidade em volta. Por mim, deveria ficar sempre assim. É preciso respeitar as tradições”, diz o veterano jornalista, que trabalha na categoria desde 1978. E apontou o circuito que realmente odeia. “O pior circuito de todos é Monte Carlo, é ridículo”, afirmou sobre o tradicional GP nas ruas do Principado de Mônaco.

Renovação – A organização do GP admitiu que a estrutura oferecida às escuderias está longe do ideal e garantiu que o quadro vai mudar no ano que vem. Castilho de Andrade, chefe de imprensa do GP, disse que novas reformas estruturais já estão programadas. “A renovação será feita em duas partes. Já renovamos a pista, que está ótima. A partir de janeiro, colocaremos toda a estrutura fora da pista abaixo, teremos um novo paddock, uma nova sala de imprensa, tudo novo.” Andrade admitiu o desconforto com as críticas, mas lembrou que o GP do Brasil foi eleito, pelas próprias escuderias e pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA), como a etapa mais organizada da temporada passada. “As equipes reconhecem o nosso esforço. Fazer um bom evento em circuitos modernos é fácil, aqui é muito mais difícil. Mas tudo isso acabará ano que vem.”