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Empate no campo, derrota na arquibancada

Os mexicanos nos deram uma aula de como torcer. Eram menos, pareciam mais

O Brasil tem um bom time, mas longe de ser perfeito. Não considero o empate de ontem um mau resultado. O México possui jogadores de talento, se infla quando enfrenta a seleção brasileira. Mas o escrete de Felipão só não venceu porque esbarrou no paredão Ochoa. Foram quatro defesas decisivas do goleiro para que o resultado terminasse 0 a 0. O Brasil finalizou seis vezes a gol contra duas do adversário, teve mais posse de bola. As chances do México vieram basicamente de chutes de longe, o que mostra a solidez do miolo de zaga formado por Thiago Silva e David Luiz e bem protegido por Luiz Gustavo. Outros pontos positivos foram a subida de produção de Daniel Alves e Marcelo (ainda podem mais, mas já melhoraram), o protagonismo de Neymar (mesmo bem marcado, quase fez gol por duas vezes) e a boa entrada de Bernard.

Ruins foram as atuações de Fred e Paulinho e a pouca criatividade de Oscar, que ontem marcou de mais e criou de menos. No próximo dia 23, o mais provável é que o Brasil vença Camarões, sem Samuel Eto’o, com certa tranquilidade, e garanta o primeiro lugar no Grupo A. O México tem um jogo dificílimo contra a Croácia. Mas a seleção precisa melhorar, e muito, para enfrentar as potências que certamente virão a partir das oitavas de final. Hulk voltará? Bernard cavou uma vaguinha no time? Fred empacou? E Paulinho, sairá? Bem, para quem já se “entediava” com o ambiente pacífico demais da seleção, eis aí alguns abacaxis para Felipão descascar.

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Agora, reconheçamos: se empatamos em campo, perdemos na arquibancada. Exceto o sempre arrepiante Hino Nacional a uma só voz (e aí não tem pra ninguém), os mexicanos nos deram uma aula de como torcer. Eram menos, pareciam mais. Tanto que os brasileiros foram obrigados a copiar o tradicional xingamento do goleiro quando este repõe a bola. Acho que essa supremacia de torcer da “América Hispânica” se deve em parte aos cânticos. Tal qual os argentinos, eles têm vários. O mais bonito, porém, é Cielito Lindo (na versão em português, é aquela do refrão “ai, ai, ai, ai, está chegando a hora”). É uma música, uma canção. Nós, brasileiros, em mais de um século de futebol, só fomos capazes de inventar dois: o antigo “leleô Brasil” e o recente “com muito orgulho, com muito amor”. Eu prestei atenção: nenhum deles durou mais que vinte segundos. Porque ninguém aguenta, são curtos, entediantes. Não dá para entender um país com nossa riqueza musical, com tantos compositores magistrais, não ter conseguido gestar alguns coros minimamente sustentáveis para empurrar a seleção!

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