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Em tempos de coronavírus, como é o ‘home office’ dos atletas olímpicos

Com a maioria dos centros de treinamentos fechados, esportistas improvisam para manter a boa forma de olho nos Jogos Olímpicos

Por Alexandre Senechal, Alexandre Salvador - Atualizado em 20 mar 2020, 14h48 - Publicado em 20 mar 2020, 14h01

Se o Comitê Olímpico Internacional (COI) reluta em declarar o adiamento os Jogos Olímpicos de Tóquio, que está marcado para o período entre 24 de julho e 9 de agosto, os atletas não podem parar. Mesmo com a incerteza se terão ou não que disputar a competição por causa da crise do coronavírus, aqueles que estão classificados (ou buscam uma vaga) tentam continuar seus treinamentos confinados, em suas casas.

O carioca Hugo Calderano, de 23 anos, é um dos fortes nomes do Time Brasil na busca por uma medalha em Tóquio. O atleta de tênis de mesa, sétimo colocado no ranking mundial, mora na pequena cidade alemã de Ochsenhausen, e está preso em seu apartamento desde segunda-feira 16. O ginásio onde ele treinava fechou as portas no domingo 15, e a solução foi levar uma das mesas para casa e tentar bater uma bolinha.

“Trouxe bastante material de preparação física para minha casa e deixei tudo pronto aqui para o que precisar usar. Não dá para treinar realmente, porque o espaço na minha sala é pequeno. É só para manter um pouco do contato com a raquete e a bola”, contou em entrevista por telefone a VEJA.

Calderano está com o amigo e atleta da seleção brasileira Vitor Ishiy, seu companheiro de clube, e disse estar preocupado com a indecisão sobre a realização dos Jogos Olímpicos na data prevista. O mesatenista disse que a situação é incomoda para todos os atletas e atrapalha na preparação. “Temos que torcer para passar logo e, quando voltar, estar bem fisicamente e não ter perdido a habilidade de jogo.”

Izabella Chiappini, de 24 anos, foi a artilheira da seleção brasileira de polo aquático na Rio-2016 e decidiu defender a Itália no novo ciclo olímpico. Com dupla nacionalidade, foi para a Europa para defender o SIS Roma e a seleção do país, mas voltou ao Brasil após o surto da Covid-19. Ela fez o teste para a doença e o resultado deu negativo. A intenção era treinar no Pinheiros, clube que já defendeu no passado, mas foi impedida, porque ainda não tinha a confirmação do exame.

A jogadora está no Guarujá, no litoral paulista, e adaptou os treinamentos na academia da casa do pai e em uma piscina pequena, apenas para manter a forma. Acostumada a treinar de segunda a segunda em dois períodos, ela disse, também em conversa por telefone com VEJA, que tem sorte de ter aparelhos à disposição continuar treinando, mas a situação é longe da ideal. “Tento fazer algo todo dia, nem que seja um alongamento ou musculação. Mas não dá para entrar na água todo dia. A piscina é muito rara.”

Ela acredita que os Jogos devem ser adiados, uma grita que aumenta a cada dia com a decisão do COI de manter o calendário inalterado. “O ciclo de treinamento foi quebrado e não seria justo com os atletas. Isso de manter a data é uma questão financeira e política, sem pensar em nós. As Olimpíadas são para os atletas e desse jeito ninguém vai chegar bem”, alertou.

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Isolamento de campeão – Quem teve maior sorte após o fechamento dos principais centros de treinamento do mundo foi o atual medalhista de ouro do salto com vara, o paulista Thiago Braz. Ele está na Itália e, apesar do isolamento compulsório e da crise sanitária no país, segue se preparando ao lado do treinador, o ucraniano Vitaly Petrov.

Segundo VEJA apurou, ele teve a escolha de retornar ao Brasil com o agravamento da situação italiana, mas preferiu manter sua rotina de treinos e agora não mantém contato com nenhuma outra pessoa além de Petrov e de sua esposa, Ana Paula Oliveira. Um de seus principais rivais na disputa olímpica, o francês Renaud Lavillenie, tem uma pista no quintal de sua casa e também deve estar treinando sem maiores prejuízos.

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