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Em protesto contra o racismo, times da NBA boicotam jogos dos playoffs

A decisão partiu da equipe do Milwaukee Bucks e foi tomada após um homem negro de 29 anos receber sete tiros da polícia em Wisconsin

Por Da Redação Atualizado em 26 ago 2020, 20h14 - Publicado em 26 ago 2020, 17h30

A NBA foi paralisada nesta quarta-feira, 26, em mais um representativo protesto contra o racismo e a violência policial contra negros nos Estados Unidos. O boicote partiu dos jogadores do Milwaukee Bucks e ganhou apoio de outras franquias. A decisão, às vésperas da partida número cinco dos playoffs, diante do Orlando Magic, foi tomada após o americano Jacob Blake, um homem negro de 29 anos, receber sete tiros de policiais na frente de seus filhos no último domingo, na cidade de Kenosha, no estado de Wisconsin.

Segundo o jornalista americano Adrian Wojnarowski, os jogadores do Magic queriam jogar e participaram do aquecimento em quadra, mas a decisão já estava tomada pelos adversários. Os Bucks são de Milwaukee, cidade próxima de Kenosha, em Wisconsin, e decidiram tomar a frente na nova manifestação antirracista.

No início da noite desta quarta-feira, 26, a diretoria dos Bucks emitiu uma nota oficial sobre a decisão de não entrar em quadra. “Nós apoiamos completamente a decisão dos nossos atletas. Embora não soubéssemos de antemão, teríamos concordado com eles mesmo assim. A única maneira de conseguir mudanças é colocar luz às injustiças raciais que estão acontecendo diante de nós. Nossos jogadores fizeram isso e estaremos ao lado deles para exigir responsabilidade e mudança”.

Desde o caso de Blake, que sobreviveu mas está com paralisia, os jogadores evitaram falar sobre os jogos e alguns se mostraram perturbados com a situação. Os atletas do Boston Celtics e do Toronto Raptors, que se enfrentam na semifinal da conferência leste, já ameaçavam boicotar o jogo da próxima quinta-feira, mas para hoje não havia suspeitas de que os jogos pudessem ser suspensos.

  • A decisão de continuar a temporada da NBA na “bolha” do complexo da Disney, em Orlando, não agradou a todos os jogadores, que estavam preocupados com os protestos, mas eles foram convencidos por Chris Paul, armador do Oklahoma City Thunder e presidente da Associação de Jogadores. O argumento era de que eles poderiam lutar contra a violência policial usando a visibilidade dentro de quadra.

    Desde a retomada, na esteira das manifestações em todo o país pela morte de George Floyd, no fim de maio, jogadores e franquias protestam de diversas formas, ajoelhando, escrevendo mensagens do movimento Black Lives Matter nos tênis e usando as redes sociais. O caso de Blake pode forçar uma nova paralisação da liga.

    “Eu estava muito animado para o jogo (contra o Boston) e, então, tivemos de ver Blake levar os tiros. Isso muda muitas coisas. Optar por jogar não era para ser em vão, mas agora parece que tudo que estamos fazendo não está realmente mudando as coisas”, desabafou Fred VanVleet, armador do Toronto Raptors, em coletiva.

    O movimento de boicote ganha cada vez mais força entre os jogadores. De acordo com o jornalista americano Shams Charania, os atletas de Oklahoma City Thunder e Houston Rockets, que se enfrentariam às 19h30 (de Brasília) desta quarta, também optaram por boicotar o jogo. Após reunião, os jogadores de Los Angeles Lakers e Portland Trail Blazers não entrarão em quadra na noite desta quarta.

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