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Em nova exposição na Ferrari, a arte de Sergio Pininfarina

Modelos lendários como a 250 LM, a Enzo e o conceito Pinin estão na mostra

Por Silvio Nascimento 25 out 2012, 06h57

A Ferrari já encomendou carros a vários designers italianos. Sergio Scaglietti, Nuccio Bertone e Giorgetto Giugiaro estão entre eles. Mas nenhum foi mais requisitado pela casa de Maranello que Sergio Pininfarina, morto em julho, aos 85 anos. Em homenagem ao parceiro de longa data, que em 2012 completou 60 anos de serviços prestados à Ferrari, a fabricante italiana de superesportivos fará uma exposição com os principais modelos concebidos por Pininfarina. “Foram projetadas quase uma centena delas, é difícil escolher qual é a melhor”, disse Paolo Pininfarina, filho de Sergio, em recente visita ao Brasil (leia entrevista abaixo). A mostra, intitulada Le Grandi Ferrari di Sergio Pininfarina, abre ao público nesta sexta-feira, no Museu Ferrari, em Maranello.

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A exposição será dividida em três ambientes temáticos. No primeiro espaço, cujo tema é “Pininfarina e as corridas”, os visitantes poderão conferir de perto bólidos como a 250 LM, a última Ferrari campeã da 24 Horas de Le Mans, em 1965; a 250 SWB pilotada por Stirling Moss no início da década de 1960, e o protótipo de monoposto Sigma, uma nova proposta para a Fórmula 1. Desenvolvido por meio de uma parceria entre a Pininfarina e a Ferrari, com apoio da Fiat e da Mercedes-Benz, também nos anos 1960, o Sigma trazia um novo conceito de segurança para os pilotos.

No segundo espaço serão mostrados os carros-conceito, com destaque para o Modulo, um protótipo de visual futurista equipado com um poderoso V12 na parte traseira, e o Pinin, o único estudo com carroceria quatro portas da marca. No último espaço, batizado de “Pininfarina e os Carros Gran Turismo”, serão exibidos onze modelos, dividos por categoria: as berlinettas com motor dianteiro, seguido pelos esportivos com motores traseiros, incluindo o protótipo BB (Berlinetta Boxer) e os carros do presente.

Durante a mostra, será exibido um filme com uma entrevista de Sergio Pininfarina, em que ele fala sobre sua relação com Il Commendatore Enzo Ferrari e Luca di Montezemolo, atual presidente da Ferrari. Um grande mural também mostrará todas as Ferraris criadas por Pininfarina desde 1952. A exposição ficará aberta até 7 de janeiro de 2013 – fecha apenas dias 25 de dezembro e 1º de janeiro de 2013 – das 9h30 às 18 horas. Visitantes pagam entre 13 euros (cerca de 34 reais) e 9 euros (23,5 reais).

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O legado passado de pai para filho

Paolo Pininfarina
Paolo Pininfarina VEJA

O engenheiro Paolo Pininfarina, de 54 anos, toca desde 2008 a empresa que leva o nome de família, fundada pelo avô Giovanni Battista nos anos 1930. Imediatamente o nome da companhia é associado a automóveis – seu negócio principal – e em especial à Ferrari: o estúdio já desenhou quase uma centena dos superesportivos italianos. De passagem por São Paulo na metade de outubro, Paolo contou que aumenta a cada dia a atividade da empresa, passando por mobiliário, relógios e máquinas de café (confira no quadro abaixo), e que aos poucos vai tomando forma sua maior participação no Brasil: tem assinado o design do iate Schaefer 620 e parte para o segundo produto da linha, uma embarcação luxuosa de 80 pés.

Há diferença entre projetar um carro, um vidro de perfume ou um estádio de futebol? Cada projeto tem suas dificuldades, cada grau é diferente. São desafios com material, utilidade, público, necessidade de durabilidade, atender às expectativas do cliente. Temos o mesmo profissionalismo seja para desenvolver uma garrafas de água ou uma Ferrari.

E o processo de criação é muito doloroso? Muita gente não concorda, mas penso que a primeira ideia que chega é a última que vai ficar. Claro que é preciso acertar detalhes, fazer correções, mas o conceito chega de uma vez, não vem aos poucos.

Ferrari F12
Ferrari F12 VEJA

Qual a Ferrari mais bela que o estúdio já desenhou? Foram projetadas quase uma centena, é difícil escolher. Meu pai (Sergio) trabalhou na maioria delas e eu em alguns, como a FF, a 458 Spider, e a F12 (ao lado) – e agora estou num novo modelo… Mas pensando no meu pai não há como negar que a mais significativa é a Dino, a primeira com motor central, a primeira que meu pai fez sozinho, porque meu avô (Giovanni Battista, fundador do estúdio nos anos 1930), estava doente e só a viu pronta. E ficou feliz – ao vê-la, disse: “Linda, pena que não é minha filha, é minha neta”. Se tivesse de escolher seria esta, a mãe de todas.

Quais outros projetos, de outros segmentos, que o senhor destaca com sua grife? Não posso deixar de citar três, que me deixaram extremamente feliz e orgulhoso, além de serem apaixonantes por todos os desafios. A garrafa de água Lauretana foi um projeto difícil, com várias complicações, como trabalhar com o rótulo, com a superfície cilíndrica, a resistência… A cozinha Snaidero, na Rússia, é um produto Pininfarina mais famoso que a própria Ferrari. Gosto também da mesa Calligaris Orbital.

Qual foi o primeiro carro que o senhor dirigiu? Foi uma experiência única. Era um Peugeot 104ZS cupê 1977, marrom metálico… Em cada curva era uma aventura, porque ele sempre andava para a direita, não importava a direção (risos).

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