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Em noite de Varejão, LeBron se poupa, mas Cavs vencem

Atleta mais valioso do planeta ficou pouco em quadra e não brilhou. Brasileiro jogou bem e vibrou muito na vitória dramática de Cleveland sobre Miami no Rio

“Hoje é um dia muito especial, que vou levar para minha vida inteira”, disse o pivô brasileiro

A torcida que lotou a HSBC Arena, na Barra da Tijuca, para ver o reencontro do astro americano LeBron James, do Cleveland Cavaliers, com sua ex-equipe, o Miami Heat, deixou o ginásio decepcionada com a atuação do atleta mais valioso do planeta na noite deste sábado – por se tratar de um jogo de pré-temporada, o craque se poupou, ficou pouco em quadra e fez poucas jogadas de efeito. Mas os coadjuvantes da festa ajudaram a fazer um grande show: o jogo se encaminhava para uma vitória tranquila dos Cavaliers, mas pegou fogo nos minutos finais e terminou de forma espetacular, na prorrogação, com vitória do time de LeBron e do brasileiro Anderson Varejão, 122 a 119. Uma das principais atrações da segunda edição do NBA Global Games no Rio de Janeiro, Varejão retribuiu o carinho do público com uma boa atuação e foi um dos destaques do Cavaliers, com 14 pontos em apenas 20 minutos em quadra. Ao contrário do que ocorreu no ano passado, quando Nenê Hilário, do Washington Wizards, foi vaiado pela torcida depois de pedir dispensa da seleção brasileira, desta vez o representante do país na festa mereceu uma recepção digna de um grande ídolo nacional.

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Não houve nenhum atrito aparente entre LeBron e seus ex-companheiros, mas o craque esteve impreciso nos arremessos e marcou apenas sete pontos. Em alguns momentos, LeBron chegou a ser vaiado pela torcida do Heat, que era maioria no ginásio, mas deu algumas pequenas mostras de sua genialidade com assistências e passes excepcionais. Do lado da equipe de Miami, as estrelas que sobraram no time, Dwyane Wade e sobretudo Chris Bosh, tiveram boas participações e levantaram o público. No fim, porém, quem brilhou foi o jovem Shabazz Napier, que entrou com personalidade, marcou 16 pontos e levou a partida para a prorrogação. Kevin Love, outro reforço do Cleveland para a temporada, se encaixou rapidamente no time e foi o cestinha da partida, com 25 pontos. Mesmo quem torcia por uma vitória de Miami saiu satisfeito: os 14.000 presentes deixaram a arena empolgados com o espetáculo – com direito a enterradas, drama, música, coreografias, tecnologia de ponta e até uma bonita homenagem a Luciano do Valle, narrador morto em abril, que foi responsável por transmitir a primeira partida de NBA no Brasil, há 25 anos.

Durante a apresentação dos jogadores, Varejão mereceu até mais gritos e aplausos que LeBron e Wade. “Hoje é um dia muito especial, que vou levar para minha vida inteira”, disse o pivô antes da partida. Foi dele a primeira cesta do jogo. Logo na sequência, um fato chamou a atenção: apesar de ter sido muito aplaudido em sua entrada, LeBron ouviu algumas vaias de fãs do Miami, sobretudo quando cometeu um erro de passe bobo logo no início de sua participação. O astro demorou a se encontrar na partida e desperdiçou seus primeiros arremessos, mas aos seis minutos levantou a torcida com um passe genial para cesta de Varejão – que, contrastando com o companheiro mais famoso, começou o jogo inspirado. Em seguida, LeBron deu linda enterrada e trouxe a torcida para seu lado. Sua recente mudança de clube causou um fato curioso nas arquibancadas: a torcida do Heat era maior e mais barulhenta, mas boa parte das camisas de Miami tinham o número 6 de LeBron nas costas. O número 3 de Dwyane Wade e uniformes de outras equipes populares, como Chicago Bulls e Los Angeles Lakers, se misturavam às camisas de Flamengo, Vasco e outras equipes de futebol.

Cleveland foi melhores no início da partida e fechou o primeiro quarto vencendo por 27 a 21, com oito pontos de Varejão. Do lado do Heat, Chris Bosh e Dwyane Wade mostraram belas jogadas, mas sofreram com os erros de seus colegas. No segundo quarto, LeBron seguiu cometendo falhas incomuns, mas mostrou por que é um dos atletas mais completos da história ao distribuir passes com extrema categoria e visão de jogo. Os Cavaliers foram para o intervalo com uma ampla vantagem: 59 a 49. No terceiro quarto, o Heat melhorou um pouco e diminuiu o prejuízo, mas Kevin Love seguia fazendo a diferença para os Cavaliers. No último quarto, os treinadores decidiram poupar seus melhores jogadores e o ritmo da partida caiu bastante. O técnico David Platt chegou a irritar a torcida ao manter LeBron e Varejão no banco durante todo o período – e acabou sendo castigado. Os torcedores gritaram o nome do brasileiro, que retribuiu com um aceno. Enquanto isso, numa incrível reação comandada pelo novato Shabazz Napier, o Heat chegou a um empate que parecia improvável: 105 a 105. LeBron, Varejão, Bosh e Wade seguiram no banco, mas os reservas garantiram o show. O armador Joe Harris, com cinco pontos nos minutos finais, decidiu a partida a favor do Cleveland.

“Showtime” – Horas antes da partida, um grupo de cinquenta torcedores permaneceu na porta do hotel do Cleveland à espera da saída de LeBron, Varejão e companhia. Os fãs que não conseguiram ingressos para a partida puderam acompanhar o jogo na NBA Fan Zone montada na praia de Ipanema – uma estrutura semelhante às Fan Fests da Fifa que se espalharam pelas sedes da Copa do Mundo. Por causa do trânsito caótico na Barra da Tijuca – o ginásio está localizado no Parque Olímpico dos Jogos de 2016, que está em obras – muitos torcedores chegaram à arena em cima da hora ou com a partida já em andamento. Durante o aquecimento, que contou com a presença de quase todos os atletas (LeBron não apareceu), a torcida praticamente não se manifestou, com exceção de alguns gritos para Anderson Varejão. Quando começou o espetáculo da liga profissional americana, com suas luzes e coreografias, o público logo entrou no clima.

Torcedores tiraram fotos com os mascotes e as cheerleaders, dois símbolos do marketing esportivo americano. As musas, inclusive, surpreenderam o público ao dançar ao som de um funk carioca antes do jogo. O mascote Moondog, um animador vestido de cachorro que puxa a torcida do Cleveland nos jogos em casa, fez tremer as arquibancadas com uma cesta de costas, do meio da quadra. Ele ainda vestiu uma camisa com as cores do Brasil e divertiu o público em vários intervalos. O espetáculo ainda incluiu um show de acrobacias, enterradas, gincanas interativas e muito exibicionismo nos telões durante os intervalos. Com a bola rolando, o locutor oficial do evento realizou intromissões a cada cesta ou falta, dando o nome dos atletas, assim como nos ginásios americanos. Ainda houve espaço para homenagens. Primeiro, quatro lendas da NBA, os ex-jogadores Alonso Mourning, Steve Smith, Gary Payton e o ex-técnico Pat Riley foram aplaudidos. Ao final do segundo quarto, foi realizado um tributo ao narrador Luciano do Valle, morto em abril deste ano.

Foi Luciano quem narrou a primeira transmissão de NBA para o Brasil, em 1989, durante seu histórico programa Show do Esporte, da TV Bandeirantes. “Sem Luciano do Valle, o sonho de hoje não seria possível”, disse o locutor oficial do evento. O espetáculo deste sábado fechou uma semana em que o melhor basquete do mundo ganhou as ruas do Rio de Janeiro. Desde quarta-feira, os atletas de ambas as equipes atraíram a atenção dos fãs em sua passagem pelo Rio. Verdadeiras celebridades mundiais, LeBron James e Dwyane Wade foram vistos nas praias e pontos turísticos da cidade e se disseram muito à vontade no país. Com uma arena temática montada na Praia de Ipanema e outros eventos espalhados pela cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016, os dirigentes americanos mostraram toda a capacidade da liga na hora de promover a marca e cativar novos fãs.