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‘Em muitos casos, negros são mais racistas que brancos’, diz ex-CEO da F1

Bernie Ecclestone elogiou Lewis Hamilton, mas criticou manifestações e programas pela diversidade e foi repudiado pelos atuais gestores da categoria

Por Danilo Monteiro - 26 Jun 2020, 17h41

Bernie Ecclestone, ex-chefe da Fórmula 1, causou polêmica nesta sexta-feira 26, em entrevista à emissora americana CNN. O dirigente, aposentado em 2017, comentava sobre a importância da representatividade de Lewis Hamilton, hexacampeão da categoria, mas declarou que programas de incentivo à diversidade não serão efetivos na F1 e que ’em muitos casos, negros são mais racistas do que brancos’.

“Lewis é um pouco especial. Primeiro, ele é muito, muito talentoso como piloto e também quando se posiciona e faz discursos. A última campanha que ele fez para a população negra, foi maravilhosa. Ele tem feito um bom trabalho e são pessoas assim, facilmente reconhecidas, que as pessoas ouvem”, comentou o ex-presidente, de 89 anos.

Ecclestone foi perguntado sobre o programa We Race as One, lançado pela Fórmula 1, depois de protestos de Hamilton, para garantir mais diversidade e igualdade entre pilotos. “Não acho que isso fará algo bom ou ruim para a F1. Isso fará com que as pessoas pensem o que é mais importante. Penso que é o mesmo para todos. As pessoas devem refletir e pensar: ‘Bom, que diabos. Alguém não é igual as pessoas brancas e os negros devem pensar o mesmo’. Em muitos casos, os negros são mais racistas do que os brancos”.

O ex-piloto, então, criticou os manifestantes que derrubaram a estátua de Edward Colson, um comerciante de escravos, em protestos contra o racismo na cidade de Bristol, na Inglaterra. “Acho que eles precisam ser ensinados na escola, para crescerem sem pensar nessas coisas. Acho um completo absurdo derrubar todas essas estátuas. Levem as crianças da escola até lá e digam por que estão ali, o que fizeram e quão errado foi aquilo”.

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A Fórmula 1, ainda nesta tarde, rebateu as declarações de Ecclestone e garantiu que ele não participa da organização desde 2017. “Em um período onde é preciso combater o racismo e a desigualdade, nós discordamos completamente dos comentários de Bernie Ecclestone, que não têm espaço na Fórmula 1 ou na sociedade. O senhor Ecclestone não participou de nenhum cargo na Fórmula 1 desde que deixou a organização em 2017. Seu título de Presidente Emérito, sendo honorífico, expirou em janeiro de 2020”, comunicou a F1, em nota.

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