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Em meio à sua maior crise, Fifa sofre pressão internacional

Federações britânicas e Transparência Internacional querem que eleição para presidência da entidade, na quarta, seja adiada. Blatter, candidato único, nega

Por Da Redação 31 Maio 2011, 12h07

Blatter avisa que o adiamento da eleição – que só aconteceria com a adesão de 75% das federações nacionais – não deverá ocorrer

A Fifa existe há 107 anos e tem 208 nações representadas entre seus filiados – mais até que a Organização das Nações Unidas (ONU). Tudo estava pronto para que, na quarta-feira, em Zurique, Suíça, o Congresso da entidade chancelasse, sem sobressaltos, mais um mandato para seu atual presidente, Joseph Blatter. O clima antes da reunião, porém, é muito diferente do que Blatter esperava. A eleição chega no pior momento já vivido pela federação internacional de futebol. E o dirigente é pressionado a adiar a votação – o que ele já descartou nesta terça. Alguns delegados do Congresso da Fifa já abandonaram o evento.

A série de denúncias de corrupção na entidade provocou um terremoto na cúpula da Fifa. O saldo, por enquanto, é de dois integrantes do Comitê Executivo suspensos (Jack Warner, presidente da confederação das Américas Central e do Norte, e Mohammed Bin Hammam, presidente da confederação asiática) e uma eleição presidencial manchada pelo escândalo. Bin Hammam retirou sua candidatura, o que levou Blatter a se garantir na eleição de quarta – ele virou candidato único. A realização da eleição num momento tão delicado, no entanto, causou preocupação entre dirigentes e organizações do exterior.

Na manhã desta terça, a Federação Inglesa de Futebol (FA, na sigla em inglês) pediu o adiamento da votação. De acordo com o presidente da federação, David Bernstein, é preciso transferir a data da votação por dois motivos: permitir que algum candidato alternativo se apresente e tentar aumentar a credibilidade do pleito. Horas depois, outras duas federações britânicas – a da Escócia e do País de Gales – sinalizaram a intenção de apoiar a medida. A Inglaterra pediu a adesão de outras confederações, lembrando que o processo eleitoral não deveria despertar dúvidas. Até patrocinadores como Coca-Cola e Adidas se dizem preocupados.

A ONG Transparência Internacional, que se dedica ao combate à corrupção, também se juntou ao pedido de adiamento da eleição, o que daria tempo para a conclusão das investigações que envolvem alguns de seus dirigentes. “Eleições livres e honestas não podem ser realizadas quando há eleitores sobre os quais pesam suspeitas”, disse a ONG em um comunicado. Se quiserem que a votação tenha legitimidade, a Fifa precisa “limpar” sua organização, disse a Transparência Internacional – para quem a investigação do Comitê de Ética da Fifa causa dúvidas, já que foi uma apuração interna, sem a clareza necessária.

Catar e Teixeira – Blatter, porém, avisa que o adiamento da eleição – que só aconteceria com a adesão de 75% das federações nacionais – não deverá ocorrer. “Se alguém pode mudar alguma coisa na eleição, são os membros da Fifa. Isso não pode ser feito por nenhuma autoridade fora da Fifa. É uma decisão do Comitê Executivo por si só”, alertou, em um recado aos que defendem a mudança de data. Blatter afirmou que a escolha do Catar para sede da Copa de 2022 foi limpa, contrariando um e-mail do secretário-geral Jerome Valcke a Jack Warner dizendo que ela foi “comprada”.

Também nesta terça, a Fifa anunciou que foram arquivadas as investigações sobre uma denúncia do dirigente inglês David Triesman contra Ricardo Teixeira, presidente da CBF. Triesman tinha dito que o brasileiro havia insinuado uma troca de favores em troca de seu voto na escolha da sede da Copa de 2018 – a Inglaterra acabou perdendo para a Rússia. Teixeira negou. “O Comitê Executivo se reuniu e recebeu um informe da comissão de investigação sobre as declarações de David Triesman. Temos o prazer de poder confirmar que não há elementos para iniciar um processo”, informou o site da entidade.

(Com agências AFP e Gazeta Press)

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