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Em meio a onda de críticas, Fifa nega interferência política em caso Balogun

Em nota oficial, entidade afirma que seu Comitê Disciplinar é independente e que já tomou decisões semelhantes no passado

Por Felipe Carneiro, de Los Angeles 6 jul 2026, 19h20
Em meio a onda de críticas, Fifa nega interferência política em caso Balogun Priorizar nos meus resultados Google

A Fifa divulgou nesta segunda-feira uma nova nota oficial negando interferência política na decisão que suspendeu o gancho de um jogo aplicado ao atacante Folarin Balogun, da seleção americana, horas antes do confronto das oitavas de final contra a Bélgica, no estádio de Seattle. O caso já havia gerado polêmica no fim de semana, quando a Fifa suspendeu a punição — pelas próprias regras da entidade, suspensões de um jogo como essa normalmente nem comportam recurso, o que tornou a reversão ainda mais incomum.

Nesta segunda, o presidente americano, Donald Trump, confirmou ter ligado para o presidente da Fifa, Gianni Infantino, para pedir uma “revisão” do cartão vermelho mostrado a Balogun na vitória sobre a Bósnia e Herzegovina, ainda que tenha negado ter determinado o resultado da decisão. Infantino, por sua vez, confirmou a ligação, mas afirmou que explicou a Trump que o caso seria decidido pelos órgãos judiciais independentes da Fifa.

A reversão provocou uma onda de críticas no mundo do futebol. O ex-presidente da Fifa Joseph Blatter publicou nas redes sociais que “cartões vermelhos não são revertidos por telefonemas políticos”, questionando os rumos da entidade. A Uefa classificou a decisão como “incompreensível e injustificável” e disse que a Fifa “cruzou uma linha vermelha”. Técnicos como o norueguês Ståle Solbakken e o inglês Thomas Tuchel também criticaram publicamente a medida, assim como o ex-jogador inglês Gary Neville.

Na nota divulgada hoje, a Fifa faz questão de separar dois pontos: o cartão vermelho mostrado a Balogun em campo não foi revertido; apenas os efeitos da suspensão automática de um jogo dele decorrente foram suspensos, com base no Artigo 27 do Código Disciplinar da Fifa. A entidade também afirma que seus órgãos judiciais são estatutariamente independentes e que o uso desse artigo não é inédito, citando precedentes nas eliminatórias da Copa do Mundo de 2026.

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Leia os principais trechos da nota:

[…]

Em primeiro lugar, o Comitê Disciplinar da Fifa (como qualquer outro órgão judicial da Fifa) é independente, conforme previsto no Estatuto da Fifa e no Código Disciplinar da Fifa. Os presidentes, vice-presidentes e demais membros dos órgãos judiciais da Fifa atendem aos critérios de independência definidos no Regulamento de Governança da Fifa, para garantir sua imparcialidade.

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Em segundo lugar, o Comitê Disciplinar da Fifa não reverteu a expulsão determinada em campo pelo árbitro contra o sr. Balogun; pelo contrário, o Comitê Disciplinar da Fifa manteve a suspensão de um jogo do sr. Balogun decorrente do cartão vermelho recebido em 1º de julho de 2026. O Comitê Disciplinar da Fifa decidiu apenas sobre as sanções disciplinares adicionais a serem impostas em razão do cartão vermelho.

[…]

Nos termos do Artigo 27 do Código Disciplinar da Fifa, o Comitê Disciplinar da Fifa tem discricionariedade para suspender a aplicação de qualquer medida disciplinar, desde que não relacionada a manipulação de resultados — o que, evidentemente, não ocorreu neste caso. Cabe acrescentar que o uso do Artigo 27 não é inédito, já que decisões semelhantes foram proferidas anteriormente durante as eliminatórias da Copa do Mundo Fifa 2026.

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Não há disposições no Código Disciplinar da Fifa nem no Regulamento da Copa do Mundo Fifa 26™ que proíbam o Comitê Disciplinar da Fifa de exercer sua discricionariedade nos termos do Artigo 27 do Código Disciplinar da Fifa. O exercício dessa discricionariedade é plenamente consistente com os princípios gerais que orientam a determinação da sanção disciplinar aplicável, conforme o Artigo 25 do Código Disciplinar da Fifa.

Rever as consequências jurídicas de cartões vermelhos no futebol não é novidade no jogo moderno. Na maioria das principais ligas filiadas a associações membros da Uefa, por exemplo, a reversão de cartões vermelhos é uma medida disciplinar comum, o que nunca levantou preocupações quanto à violação de qualquer “linha vermelha”. E, mais uma vez, é preciso enfatizar que, na decisão em questão, o cartão vermelho não foi revertido. Suspender os efeitos de um cartão vermelho com base em uma disposição explícita do regulamento aplicável é uma medida bem mais equilibrada.

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