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Em clássico emocionante, Brasil bate Itália e avança forte

Vitória por 4 a 2 (gols de Dante, Neymar e 2 de Fred) carimba classificação da seleção em primeiro lugar do grupo. Próxima parada: Minas Gerais, na quarta

Por Giancarlo Lepiani, com fotos de Antonio Milena e Ivan Pacheco 22 jun 2013, 17h56

Com a vantagem de dois gols, Felipão decidiu dar um descanso a Neymar, lançando o garoto Bernard em seu lugar. Mas logo em seguida a Itália diminuiu, colocando fogo no jogo

Em um clássico à altura das tradições de Brasil e Itália, as duas seleções mais vencedoras da história das Copas, a equipe da casa levou a melhor neste sábado, na Arena Fonte Nova, em Salvador, e garantiu o primeiro lugar do Grupo A da Copa das Confederações: 4 a 2, com muita emoção, diante de mais de 48.000 pessoas. O time do técnico Luiz Felipe Scolari enfrentou dificuldades para repetir as atuações das duas primeiras partidas na competição. Diante de uma seleção dotada de ótima organização tática, os principais jogadores da seleção custaram a achar espaços para jogar. Na bola parada, o Brasil abriu a vantagem com Dante e Neymar, e garantiu a vitória com os dois primeiros gols do matador Fred no torneio. Giaccherini e Chiellini marcaram para a Azzurra. Agora o Brasil espera a conclusão da fase de grupos, no domingo, para descobrir seu oponente na semifinal, na quarta-feira, no Mineirão, em Belo Horizonte. O mais provável é que a seleção encare um rival muito tradicional: o Uruguai, que pega o frágil Taiti no Recife. Espanha e Nigéria fazem a outra partida do domingo, em Fortaleza – os campeões da Europa e do mundo têm tudo para avançar em primeiro lugar de sua chave, enfrentando a Itália na semi, na quinta, na Arena Castelão, em Fortaleza.

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Jogo pegado – Já virou costume na seleção de Felipão nesta Copa das Confederações: seja qual for o adversário, o time começa a partida em ritmo frenético, pressionando a saída de bola do oponente desde o início e forçando o erro dos rivais. Com ânimo redobrado pela empolgação do torcedor, o Brasil voltou a fazer uma blitz nos primeiros minutos, criando boas chances e exigindo uma boa defesa do goleiro Buffon logo nos primeiros movimentos. Depois de cinco minutos de sufoco, porém, a Itália, com muita disciplina tática e boa qualidade de passe, equilibrou o jogo e esfriou o time da casa. A partida ficou mais estudada e travada, com escassas oportunidades de gol. Aos 16 minutos, depois de bela jogada de Marchisio pela esquerda, Balotelli recebeu o cruzamento e finalizou para fora. O Brasil só criou uma boa oportunidade oito minutos depois, aos 24, quando Neymar recebeu de Oscar, de calcanhar, na entrada da área e bateu rasteiro, para fora. Aos 26, a Itália perdeu o meia Montolivo, lesionado – ele deu lugar a Giaccherini. Apenas três minutos depois, o lateral Abate se machucou depois de uma dividida com Neymar e o técnico Cesare Prandelli teve de fazer mais uma substituição (entrou Maggio).

Os personagens

  • O matador Fred

    Ele andava um tanto apagado nesta Copa das Confederações, não desperdiçou as chances que lhe caíram nos pés: o primeiro, com habilidade e força; o segundo, com oportunismo

  • O iluminado Dante

    Em sua cidade natal, o zagueiro começou a partida no banco de reservas, ganhou uma chance com a contusão de David Luiz e mostrou faro de artilheiro para marcar o gol que abriu caminho para a vitória

  • O esquentadinho Balotelli

    O camisa 9 bem que tentou, mas não conseguiu deixar sua marca contra o Brasil – e transformou sua frustração em reclamações contra o árbitro e os adversários

» Confira os números de todos os jogadores

A terceira substituição por lesão no primeiro tempo foi brasileira: David Luiz, que sentia dores desde o começo do clássico, pediu para sair aos 32 minutos. O soteropolitano Dante teve a chance de fazer sua primeira partida oficial pela seleção jogando em sua cidade natal. Logo num de seus primeiros lances, desarmou Balotelli e ganhou moral. O jogo era bastante pegado – quatro atletas foram advertidos com cartão amarelo só na primeira metade (David Luiz, Neymar, Luiz Gustavo e Marchisio). Depois de duas partidas excelentes, Neymar enfrentava dificuldades para superar a marcação dos italianos, especialistas em defender bem. Sem espaço para driblar, o camisa 10 contribuiu para a seleção abrir o placar na bola parada. Já nos acréscimos da etapa inicial, Neymar bateu falta com efeito na cabeça de Fred, que exigiu defesa espetacular de Buffon. O goleiro tetracampeão do mundo pela Azzurra, porém, espalmou para o lado e o baiano Dante – impedido – só empurrou para a rede, de pé esquerdo, abrindo o placar e levantando a torcida. Um gol que dava tranquilidade para a equipe voltar mais confiante e tranquila para o segundo tempo – o Brasil garantiria o primeiro lugar no grupo mesmo com um empate.

Vantagem e pressão – Assim como na primeira etapa, o Brasil começou o segundo tempo atacando, com um chute rasteiro de Oscar logo no primeiro minuto. Buffon agarrou. Aos 5 minutos, num contra-ataque fulminante, outro reserva deixou sua marca. Giaccherini desceu em velocidade pela direita e bateu cruzado, superando Júlio César e deixando tudo igual na Arena Fonte Nova. A festa italiana durou muito pouco: aos 9 minutos, Neymar bateu falta com precisão e categoria, no ângulo esquerdo da meta defendida por Buffon, e marcou seu terceiro gol em três jogos na competição. O camisa 10 teve seu nome cantado em coro pela torcida. O Brasil ampliou aos 20 minutos, quando Marcelo fez lançamento milimétrico para Fred, que invadiu a área, superou Chiellini e bateu firme. Com a vantagem de dois gols, Felipão decidiu dar um descanso a Neymar, lançando o garoto Bernard em seu lugar. Mas logo aos 25 a Azzurra diminuiu, com o zagueiro Chiellini, depois de confusão na área após cobrança de escanteio. Felipão trocou Hulk por Fernando para reforçar a marcação no meio. Aos 35, Maggio subiu sozinho, testou firme e carimbou o travessão de Júlio César. A Itália continou pressionando mais, porém sem ser efetiva. Aos 43, o Brasil matou o jogo. Marcelo chutou na entrada da área, Buffon rebateu e Fred, outra vez, fez jus à fama de centroavante oportunista. Houve tempo até para o grito de “olé” da torcida.

Antes da partida, a chegada à Arena Fonte Nova foi tranquila, sem grandes sobressaltos. Exceto pelo trânsito, ainda mais engarrafado do que de costume em Salvador por causa das restrições ao tráfego perto do estádio, o torcedor não passou por apuros. A expectativa em relação a possíveis protestos no lado externo do palco do jogo não se confirmou – os manifestantes organizaram algumas marchas pela cidade, mas sem alcançar a Fonte Nova enquanto o público do jogo chegava. No decorrer da partida, eles chegaram às barreiras policiais no Dique do Tororó, e houve uma nova confusão, assim como nos dois primeiros jogos da seleção no torneio. Dentro da arena, com clima mais leve do que nas outras partidas, a seleção teve apoio irrestrito do torcedor baiano. Nas cadeiras, praticamente lotadas, o predomínio absoluto era de camisas amarelas: desta vez, ao contrário do que acontece em muitos jogos da equipe no país, os uniformes de clubes foram exceção. Na hora do Hino Nacional, o torcedor baiano repetiu o que fez o cearense no último jogo e cantou a letra inteira, mesmo depois da interrupção da música no sistema de som, que reproduz apenas uma versão abreviada. E, assim como nos duelos contra México e Japão, o clima foi de patriotismo exacerbado no estádio de Salvador.

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