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Em BH, invasão argentina põe segurança da Copa à prova

Com milhares de torcedores chegando à cidade sem ingressos, a Fifa, o COL e a polícia ficam de olho nas artimanhas e golpes inventados para invadir jogos

“Descobrimos novas práticas irregulares a cada dia que passa”, revelou o diretor de Marketing da Fifa, Thierry Weil, nesta sexta. “É preciso reforçar a segurança”

Na Copa do Mundo da malandragem, os torcedores sul-americanos são campeões – e as artimanhas usadas pelos argentinos na estreia de sua seleção, no Rio de Janeiro, no fim de semana passado, aumentam a preocupação em torno da segunda partida da equipe no torneio, no sábado, em Belo Horizonte. A Fifa já flagrou vários tipos de golpes inventados pelos mais fanáticos para burlar o rigoroso esquema de segurança montado ao redor dos estádios. São ao menos cinco truques já identificados pelos organizadores e autoridades brasileiras – e todos foram usados por argentinos e chilenos nos dois primeiros jogos disputados no Maracanã. O foco neste fim de semana está voltado ao Mineirão, já que a partida entre Argentina e Irã, às 13 horas (de Brasília) é vista com apreensão pela Fifa, pelo Comitê Organizador Local (COL) e pela polícia local. O temor não é de confronto entre os torcedores, já que os iranianos estão em pequeno número em Minas, mas sim de uma nova tentativa de entrada forçada no estádio. Para afastar essa hipótese, a segurança será reforçada nas barreiras policiais montadas no caminho, e haverá uma checagem mais atenta de cada bilhete para o jogo.

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‘Constrangida’ com invasão, Fifa quer segurança reforçada

No primeiro jogo dos argentinos, cerca de vinte torcedores driblaram a segurança e conseguiram chegar às cadeiras do Maracanã. Desta vez, acredita-se que o risco seja ainda maior: nesta sexta-feira, milhares de argentinos chegaram à capital mineira sem ingressos. De acordo com o consulado do país em Belo Horizonte, cerca de 21.000 argentinos vieram a Belo Horizonte com entradas para o jogo. A representação diplomática admite, porém, que o número de torcedores na cidade na manhã de sábado será ainda maior. Como a prefeitura estimou em 25.000 o contingente de argentinos que estarão na cidade no dia do jogo, é possível dizer que haverá pelo menos 4.000 torcedores percorrendo as ruas da cidade e os arredores do estádio em busca de um ingresso. Na tarde desta sexta, enquanto o técnico da equipe, Alejandro Sabella, participava de uma entrevista coletiva no Mineirão, muitos torcedores trajados com as camisas alvicelestes perambulavam do lado de fora de olho em alguma forma de entrar no jogo. Alguns cresciam os olhos sobre as credenciais dos profissionais escalados para trabalhar no estádio.

O roubo e a falsificação de credenciais foram apenas dois dos golpes já registrados pela Fifa. “Descobrimos novas práticas irregulares a cada dia que passa”, revelou o diretor de Marketing da Fifa, Thierry Weil, nesta sexta. “É preciso reforçar a segurança”, pediu o executivo, que aponta como farsa mais comum a tentativa de convencer os funcionários e seguranças na entrada do estádio sobre a perda ou furto de bilhetes. “Muitos chegam aos portões e dizem que alguém levou seu ingresso. Aí pedem a reimpressão das entradas. Ora, não é possível que tantas pessoas percam seus ingressos. Não se perde dinheiro ou cartão de crédito assim fácil.” Weil informa que não haverá mais reimpressão de bilhetes – uma prática autorizada caso se comprove perda ou furto, mediante identificação do comprador – nos dias das partidas, quando, pela correria dos funcionários, é mais difícil conferir se as histórias são verdadeiras. Outros truques dos torcedores sem ingressos são o uso de bilhetes de jogos anteriores, de crachás e coletes falsificados (com a marca da Fifa, inclusive) e de credenciais compradas ilegalmente de funcionários (os documentos são intransferíveis).