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“Ela só quer justiça”, diz advogado de jovem que acusa Robinho

A albanesa de identidade não revelada, defendida por Jacopo Gnocchi, afirma que o jogador e colegas abusaram sexualmente dela numa boate

Por Lucas Almeida, de Roma Atualizado em 23 out 2020, 12h28 - Publicado em 23 out 2020, 06h00

Robinho ainda afirma que a relação sexual com a vítima foi consensual. Como foi provado o contrário no julgamento em primeira instância, há três anos? O Tribunal de Milão entendeu corretamente que houve violência sexual de grupo, porque havia mais de uma pessoa no momento do abuso. Nas interações interceptadas que sucederam à denúncia, os réus não chegaram a confessar, mas quase confirmaram o que aconteceu. A sentença é perfeita.

As conversas interceptadas entre Robinho e outros acusados pesaram na condenação? Elas são uma parte importante, mas não foi o que determinou a condenação. A sentença se baseia no fato de que havia um vestido da vítima sujo com vestígios biológicos — incluindo os do outro réu, Ricardo Falco, que é amigo de Robinho. Mas o vestido não tinha vestígios do jogador. Além disso, tivemos uma série de testemunhas que confirmaram toda a situação.

A pressão da opinião pública levou o Santos a voltar atrás na contratação de Robinho. Foi uma medida merecida? Acredito que o time fez uma avaliação muito correta e séria. Evidentemente, o clube tomou a decisão baseado em fatores econômicos e esportivos, não por uma questão judicial. Pela lei italiana, aliás, Robinho é inocente até que o processo chegue ao fim.

Como a vítima recebeu a notícia da contratação dele pelo Santos? Isso é irrelevante para a vítima. A garota, neste momento, está pensando no processo. Ela só quer justiça.

Como o episódio do estupro afetou a vida da sua cliente? São fatos que mudam completamente a percepção do mundo, sobretudo para uma mulher. Até porque, neste caso, a vítima teve conhecimento do que aconteceu, das frases e do contexto, apenas depois do fato. Porque, durante os atos de violência, como é dito na sentença, a vítima estava sob a influência de álcool. No final das investigações, ela recebeu as conversas interceptadas dos réus. Foi uma situação absolutamente chocante, devido à memória parcialmente confusa que a vítima tinha. Foi muito forte.

Robinho afirmou que a vítima pediu uma indenização de 3 milhões de reais (cerca de 450 000 euros). Isso é verdade? No final da fase processual, o tribunal reconheceu o valor de 60 000 euros de indenização por danos. O pedido formulado no processo era um pouco maior, mas, por nós, estava bom assim. Não fizemos nenhum reparo.

O que espera da audiência de apelação do caso, marcada para dezembro? Esperamos que se confirme a sentença de primeiro grau. Foi uma condenação correta, condizente com as provas robustas coletadas na investigação.

Publicado em VEJA de 28 de outubro de 2020, edição nº 2710

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