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Edina Alves, rumo ao Mundial de Clubes: ‘O caminho foi longo’

Árbitra paranaense, a primeira mulher da história convocada a apitar o torneio no Catar, relata dificuldades para chegar à elite

Por Luiz Felipe Castro Atualizado em 22 jan 2021, 17h39 - Publicado em 22 jan 2021, 06h00

Como recebeu a notícia de que apitaria no Mundial de Clubes da Fifa? Sinto como se tivesse sido convocada para a seleção brasileira. O Brasil tem muita tradição, com dois árbitros em finais de Copa do Mundo (Arnaldo Cezar Coelho e Romualdo Arppi Filho), o que aumenta minha responsabilidade.

Por que decidiu ser árbitra? Sempre amei esporte. Um dia, o pai de uma amiga estava organizando um campeonato e me convidou para trabalhar como árbitra de futebol. Acabei me apaixonando e nunca mais saí. Me formei em 2001, mas estreei na elite apenas em 2019. Tem gente que acha que tudo caiu do céu para mim, mas foi um caminho longo.

Recebe muita hostilidade nos estádios? Felizmente, nunca tive de sair de camburão, essas coisas clássicas que acontecem com juízes.

Geralmente a mãe dos árbitros é a mais xingada nos estádios. Sim. No começo, minha mãe não queria que eu apitasse. Ela dizia que isso não era para mim. Meu irmão também se queixava de que xingavam nossa mãe, mas a família entendeu mais tarde que eu estava correndo atrás dos meus sonhos.

Já foi vítima de machismo em campo? Nunca fui desrespeitada. Claro que, no futebol, não dá para pedir “com licença” ou “por favor”, e também sou firme quando necessário. Às vezes, o jogador está de cabeça quente, com adrenalina alta, mas estou ali para controlar o jogo. Nunca enfrentei nada que passasse do limite.

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Você se dedica exclusivamente à arbitra­gem? Hoje em dia, sim. Já trabalhei como secretária e professora de educação física e tive uma empresa de eventos. Mas, no meu nível atual, não é possível conciliar com outra atividade. Tenho viagens, cursos, treinamentos. Não daria certo.

Você ganha o mesmo que os homens? Historicamente, não ganhamos tão bem como árbitros homens, pois há menos mulheres na elite. Mas vamos levando. As federações vêm dando mais oportunidades e nos ajudaram na pandemia, foi importante.

Os torcedores reclamam dos erros e da demora do VAR para validar gols. O que pensa a respeito? É uma ferramenta que veio para ajudar o futebol. Muita gente reclama da demora, mas não é fácil unir pressa a precisão. Estamos tentando aprimorar os protocolos.

Você sonha em dirigir o jogo de algum atleta em especial? É sempre legal apitar jogos de atletas da seleção. Nos eventos, brincam que o árbitro precisa torcer contra o próprio país para apitar a final, mas para mim isso não importa. Eu sempre torço pelo Brasil.

Publicado em VEJA de 27 de janeiro de 2021, edição nº 2722

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