Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia

É prata: Kelvin Hoefler, do skate, conquista primeira medalha do Brasil

Atleta do litoral paulista brilhou na categoria street da modalidade estreante, que pode trazer novos pódios ao país. Japão levou o ouro em casa

Por Luiz Felipe Castro Atualizado em 25 jul 2021, 22h40 - Publicado em 25 jul 2021, 01h37

A primeira medalha brasileira nos Jogos de Tóquio saiu no skate, uma modalidade estreante e que tem tudo para se tornar uma tradição olímpica. O paulista Kelvin Hoefler garantiu a prata na categoria street masculino, na madrugada deste domingo, 25, no Ariake Sports Urban Park. A medalha de ouro foi para o japonês Yuto Horigome e o bronze para o americano Jagger Eaton. 

Praticamente impecável, Hoefler, de 27 anos, fechou as primeiras duas voltas de 45 segundos na liderança, com 17,82 de somatório nas notas. Em seguida, partiu para as cinco tentativas de melhor manobra, na qual sofreu duas quedas, enquanto Yuto Horigome foi espetacular, com três notas acima de 9. 

O resultado não foi uma surpresa. Quarto colocado do ranking da modalidade, Hoefler é hexacampeão mundial, bicampeão do X-Games e considerado o principal nome do país na modalidade. Na classificatória anterior, ele havia obtido a quarta melhor nota geral (34,69), garantindo vaga entre os oito finalistas. Durante os treinos, Hoefler chegou a reclamar do piso da pista e também do forte calor no verão japonês, mas superou todas as dificuldades. “Esta prata não é só minha, é de todo o skate brasileiro. É só o começo”, afirmou Hoefler, em entrevista à Rede Globo após a conquista.

  • Nascido em Itanhaém e crescido no Guarujá, ambos no litoral paulista, Hoefler é uma das caras de um fenômeno bem estabelecido no Brasil. O skateboard (patins em prancha, em tradução literal) se popularizou a partir dos anos 1960, nos EUA, e se tornou um fenômeno mundial com a criação do evento X-Games, em 1995. Turbinado pela presença de ídolos como Bob Burnquist e Sandro Dias, o Mineirinho, além da influência da música, com bandas como a santista Charlie Brown Jr., e de jogos de videogame, o Brasil viu florescer pistas e rampas em clubes e praças país afora.

    O Comitê Olímpico Internacional, de posse de estudos que apontavam uma relevante perda de audiência do público abaixo de 18 anos, se apropriou do movimento e incluiu três modalidades que transitam bem entre os jovens — skate, surfe e escalada esportiva — no calendário olímpico. Apesar da pandemia, a prática só cresce no Brasil: sites de comércio eletrônico registraram aumento de 100% nas vendas do objeto voador de 2019 para 2020.

    Outros dois brasileiros competiram no Ariake Sports Urban Park. Felipe Gustavo teve a honra de inaugurar a primeira pista olímpica de skate, com boas manobras, mas ficou em 14º. Giovanni Vianna também se destacou, mas terminou em 12º, fora da zona de oito finalistas.

    Continua após a publicidade

    O Brasil pode conquistar mais medalhas no skate na madrugada de domingo para segunda com a estreia das mulheres. Letícia Bufoni, Rayssa Leal e Pâmela Rosa estão entre as principais candidatas ao ouro. Ainda que o grande público não compreenda a maioria dos termos técnicos e se surpreenda com o tom despojado dos atletas, que competem de fone de ouvido e até celular no bolso, o skate já é sucesso entre os jovens e, com impulso olímpico, tem tudo para decolar.

    Continua após a publicidade
    Publicidade