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É ouro: brasileira Rebeca Andrade conquista o título olímpico no salto

Primeira medalhista mulher da ginástica do Brasil voltou a encantar os jurados na capital japonesa e desta vez chegou ao topo do pódio

Por Luiz Felipe Castro Atualizado em 1 ago 2021, 09h30 - Publicado em 1 ago 2021, 06h30

Rebeca Andrade é a rainha da ginástica dos Jogos de Tóquio. Três dias depois  de entrar para a história como a primeira mulher medalhista da ginástica brasileira, com a prata na final do individual geral, a atleta de 22 anos foi além na manhã deste domingo, 1º, ao conquistar a medalha de ouro na prova de salto no Centro de Ginástica Ariake, na capital japonesa. 

Desta vez não houve “baile de favela”, pois o som do funk de McJoão só é usado na prova de solo. A trilha sonora da façanha foi apenas o silêncio geral seguido pelo barulho de suas aterrissagens e os aplausos dos poucos colegas autorizados a entrar no tablado do Ariake. Mais confiante do que nunca, Rebeca voltou a esbanjar força, equilíbrio, graça e controle corporal. Com nota média de 15.083, ela superou a americana Mykala Skinner (14.916), prata, e da sul-coreana Seojeong Yeo (14.733), bronze.

Rebeca agradeceu pelo apoio que vem recebendo nas redes sociais e se disse focada em ampliar seu resultado em Tóquio. “Estou bem centrada, amanhã tem mais um dia de competição, mais um dia que vou dar 110% de mim e é nisso que estou pensando… E na medalha também, claro”, disse ao Comitê Olímpico do Brasil (COB).

“Dedico esta medalha de ouro a todo mundo, mas, em especial, ao meu treinador Francisco Porath. A gente trabalhou muito, era um dos aparelhos que eu tinha mais chance. Fiquei muito satisfeita. Acho que fico mais feliz com a felicidade dele do que com a própria medalha. Ele só quer me ver brilhar e a única forma que eu posso retribuir é com a minha ginástica e nosso trabalho. É isso que eu vou buscar fazer, dar orgulho para as pessoas, para a minha família e para mim”.

Rebeca Andrade competes in the vault event of the artistic gymnastics women's vault final during the Tokyo 2020 Olympic Games at the Ariake Gymnastics Centre in Tokyo on August 1, 2021. (Photo by Lionel BONAVENTURE / AFP)
Rebeca Andrade fez saltos arriscados e terminou com a nota 15.083 Lionel Bonaventure/AFP

Novamente, uma grande ausência foi sentida: Simone Biles, maior estrela dos Jogos de Tóquio, que decidiu priorizar sua saúde mental e abrir mão da disputa da qual era franca favorita. Sem ela, Rebeca chegou à final com a segunda maior nota da fase classificatória, só atrás da americana Jade Carey. Nesta manhã, o domínio foi da atleta do Flamengo.

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  • Terceira atleta a se apresentar, Rebeca obteve uma nota alta, de 15.166, em seu primeiro salto Cheng, apesar de ter desviado levemente sua rota para o lado. Em seguida, apostou em um salto Amanar e cravou 15.000, ficando com média 15.083. Em seguida, foi a vez da favorita Jade Carey, de 21 anos, que acabou protagonizando uma cena dramática. Ela errou a passada no primeiro salto e, de cara, se viu fora da disputa com um salto nota 11.933. Fechou com média 12.416, sem chance alguma de medalha. Em seguida, nenhuma atleta conseguiu superar a nota de Rebeca. 

    Rebeca Andrade se consolida como uma nova estrela do esporte nacional. Filha da empregada doméstica Rose Andrade, cresceu, junto a seis irmãos, em condições humildes na periferia de Guarulhos (SP). Ela começou a treinar ginástica com apenas quatro anos em um projeto social da prefeitura da cidade e logo ganhou o apelido de “Daianinha de Guarulhos”, por sua semelhança com Daiane dos Santos, estrela da ginástica nacional na época. Com apenas nove anos, Rebeca se mudou para o Rio de Janeiro para defender o Flamengo e a seleção brasileira e logo confirmou as altas expectativas.

    Rebeca venceu seis etapas de Mundial a partir de 2017, mas sofreu para chegar a Tóquio. Viajou para a capital japonesa sem a equipe feminina do Brasil, que, pela primeira vez em quatro edições, não conseguiu se classificar para os Jogos. Este foi o menor de seus percalços. Em meados de 2019, ela rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho pela terceira vez em quatro anos. Os problemas físicos, somados aos adiamentos causados pela pandemia da Covid-19, atrapalharam sua preparação e a tiraram de três dos quatro campeonatos mundiais deste ciclo.

    Para chegar à redenção em Tóquio, Rebeca participou do programa Missão Europa, organizado pelo Comitê Olímpico do Brasil para driblar as restrições impostas pela pandemia no Brasil, e após um intenso período de treinos em Portugal, garantiu sua passagem individual para Tóquio apenas no mês passado ao vencer o Campeonato Pan-Americano de ginástica.

    Rebeca já havia se juntado aos medalhistas brasileiros da ginástica masculina: Arthur Zanetti, prata e bronze nas argolas nos Jogos de Londres-2012 e Rio-2016, e Diego Hypolito, prata, e Arthur Nory, bronze, ambos no Brasil. Agora, se torna o único atleta do país, entre homens e mulheres, a conquistar uma medalha de prata e outra de ouro em uma mesma edição.

    Antes do feito de Rebeca Centro de Ginástica Ariake, na capital japonesa, apenas outros cinco brasileiros haviam conquistado duas medalhas numa mesma edição. Ela também se juntou a Maurren Maggi, do atletismo, e às judocas Sarah Menezes e Rafaela Silva como únicas mulheres brasileiras a conquistar o ouro em uma modalidade individual. A ginasta ainda pode melhorar seu resultado e se tornar a única atleta brasileira com três medalhas de uma mesma Olimpíada. Na próxima segunda-feira, 2, ela é uma das principais candidatas na prova de solo, na qual mostrará novamente o seu “baile de favela” ao mundo.

    Rebeca Andrade posa com a bandeira brasileira após o ouro
    Rebeca Andrade posa com a bandeira brasileira após o ouro Loic Venance/AFP
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