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E o Oscar de melhor jogador vai para…

Muita gente pediu a substituição de Oscar por Willian. A troca parecia revestida de sensatez. No futebol, como na vida, muitas vezes o bom senso é desatino

Por Sérgio Rodrigues - 16 jun 2014, 07h51

“Para a sorte da seleção, Oscar voltou a brilhar na hora certa, e agora nos resta torcer para que continue aceso”

Com o desenrolar da Copa (e que Copa esta se anuncia!) e o distanciamento acelerado daquela estreia nervosa no Itaquerão, fica cada dia mais claro que a melhor notícia vinda da seleção brasileira na partida contra a Croácia, além da própria vitória sofrida, foi a atuação de Oscar. O rapaz já tinha provado ser um craque especial, do tipo que só aparece de tempos em tempos. Mostrara também que é um jogador sujeito a estranhas oscilações, capaz de desaparecer por completo de uma ou várias partidas em sequência, como – provavelmente com o auxílio das imposições táticas de Felipão ao prendê-lo na ponta – ocorreu nos últimos amistosos antes do Mundial.

O apagamento do brilho de Oscar fez muita gente pedir sua substituição por Willian. Tal troca parecia revestida de sensatez, mas seria equivalente à que o presidente da velha CBD, Heleno Nunes, obrigou o técnico Cláudio Coutinho a fazer na Copa de 1978 – de Zico por Jorge Mendonça. No futebol, como na vida, muitas vezes o bom senso é desatino. Trocar um supercraque capaz de contato direto com a genialidade por um ótimo jogador pode até ser necessário, é verdade, por razões diversas. Mas será sempre uma lástima.

Para a sorte da seleção, Oscar voltou a brilhar na hora certa, e agora nos resta torcer para que continue aceso contra o México, amanhã, e nas partidas seguintes. Além de ser o mais próximo que, na falta de um Pirlo, temos no elenco brasileiro de um pensador do jogo, do homem com talento para compreender a partida como se a visse da arquibancada, o jogador do Chelsea é o principal candidato a outro papel que falta ser preenchido nesse time. Um papel sem o qual o sonho do título mundial fica mais distante para qualquer equipe: o de coadjuvante luxuoso do astro.

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O astro é Neymar, óbvio. Nosso camisa 10 é dono de um talento feérico, incontestável, e mais uma vez deixou isso claro na partida de estreia, quando foi decisivo mesmo dando sinais de intranquilidade e afobação, como a maior parte do time. Se Neymar é sem dúvida o Pelé, o Romário, o Ronaldo de 2014, falta decidir quem será o Tostão, o Bebeto, o Rivaldo. O segundo craque, aquilo que os anglófonos chamam de sidekick. O Robin que tantas vezes salva o Batman de apuros mortais.

Aposto em Oscar para o papel. Quase consigo vê-lo, pouco atlético, inteligente, cara de bom moço, partindo para cima da defesa inglesa como um possesso em 1970, transformando o rancor de ver que seria substituído numa série de dribles totalmente insanos e no passe para Pelé deixar Jairzinho na cara do gol solitário que garantiria nossa vitória mais difícil na campanha do tricampeonato. Vale repetir como um mantra, dedos cruzados: Oscar é o novo Tostão, Oscar é o novo Tostão… Amém.

Oscar pode ser para Neymar o que Tostão foi para Pelé em 1970
Oscar pode ser para Neymar o que Tostão foi para Pelé em 1970 VEJA

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