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‘É duro’, diz Ronaldinho após a noite bizarra em Marrakesh

Craque começou sumido, fez golaço e deu chapéu, pegou confiança e depois voltou a fracassar. Na saída, foi cercado por adversários, que roubaram suas chuteiras - entre eles, o jogador que afirmara que o Gaúcho, hoje, 'é só nome'

“Não tem como não estar abalado. A expectativa era muito grande. Agora é ter a cabeça fria. Vamos ver o que nos resta”, disse o camisa 10

Foi uma das noites mais estranhas da carreira de um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro. Ronaldinho Gaúcho, duas vezes eleito melhor do mundo, entrou em campo como o craque e líder de sua equipe numa partida em que o Atlético-MG era absolutamente favorito. Durante quase todo o jogo, fez poucas jogadas decisivas – no primeiro tempo, quase não apareceu. Quando o Raja Casablanca abriu o placar na semifinal do Mundial de Clubes, nesta quarta-feira, em Marrakesh, o camisa 10 enfim entrou em ação, marcando um golaço de falta. Na comemoração, foi festejado pelos colegas, que apontavam: “Esse é o cara”, em resposta ao jogador marroquino que afirmava que o brasileiro já não era o mesmo. Minutos depois, Ronaldinho deu um chapéu antológico num marcador. Mas o lance genial, antes do meio-campo, não resultou em nada.

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O craque tentou outras jogadas de efeito logo em seguida – com a confiança em alta depois do gol, arriscou um elástico na grande área e foi desarmado; no mano a mano com um zagueiro, quis aplicar uma caneta mas perdeu a bola. Principal esperança do torcedor atleticano, Ronaldinho recuou, foi buscar o jogo, tentou motivar e organizar a equipe e, na armação, procurou acelerar os ataques do time brasileiro. Foi ineficaz. O Raja, muito mais objetivo do que o Atlético, voltou a ficar em vantagem. Gaúcho seguiu tentando acionar Jô, Diego Tardelli e Fernandinho, mas não voltou a brilhar na decisão. Já nos acréscimos, o camisa 10 viu de longe, num contra-ataque, o reserva Mabide ampliar o placar para os marroquinos.

Mabide foi justamente o atleta que provocou Ronaldinho antes da partida. “Eu já enfrentei o Messi. Se já enfrentei Messi, como eu vou temer Ronaldinho? Ele não é mais aquele Ronaldinho que jogava no Barcelona. Hoje, é só nome. Vamos chegar à final”, disse o abusado meia do Raja. Com a ousada previsão concretizada, Mabide não quis tripudiar. Pelo contrário: correu rumo a Ronaldinho, abraçou longamente o brasileiro e tentou passar algum recado ao astro, que tentava se desprender e caminhar rumo ao vestiário. Mabide e dois companheiros se ajoelharam aos pés do Gaúcho e arrancaram suas chuteiras, que servirão de recordação do maior jogo de suas vidas. Ronaldinho, falando baixo, foi entrevistado pelo canal Sportv. “Não tem como não estar abalado. A expectativa era muito grande. Foi um ano maravilhoso, entramos para a história do clube. Mas é duro. Agora é ter a cabeça fria. Vamos ver o que nos resta.”