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Dunga exalta Alemanha, mas rejeita plano a longo prazo

Para o novo técnico, preparar um time já pensando em 2018 não faz parte da cultura do futebol brasileiro. Para primeiro teste, 'movimentação' será a chave

“Não temos essa cultura do longo prazo. Não estamos preparados para 2018, mas sim para o jogo contra a Colômbia. Pensamos em cada dia, cada segundo”

Quando o técnico Dunga e o coordenador Gilmar Rinaldi assumiram seus cargos na seleção brasileira, depois do fracasso na Copa do Mundo, o lema na CBF passou a ser a modernização do futebol nacional, investindo em talentos para o futuro. Usando a campeã Alemanha como exemplo, a entidade prometeu dar mais atenção aos jovens e contratou Alexandre Gallo para ser o treinador exclusivo das categorias de base, em um projeto que tem como meta o ouro olímpico, no Rio, em 2016. Nesta quinta-feira, Dunga concedeu entrevista coletiva e reafirmou sua admiração pelo trabalho feito pela Alemanha. Ele, no entanto, disse que o Brasil está em uma realidade muito distante e que o objetivo principal no momento é apenas vencer a Colômbia, na partida desta sexta-feira, em Miami.

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Dunga relembrou que os tetracampeões percorreram um longo caminho, inclusive com derrotas marcantes, até chegar ao título no Maracanã. “A Alemanha foi perfeita, teve comprometimento, organização. Foram doze anos de trabalho, perdeu uma Copa em casa e outros campeonatos europeus, mas seguiu em frente.” O técnico, porém, negou que a Copa do Catar, em 2022, faça parte de seu planejamento. “Nós, e eu me incluo nisso também, não estamos habituados e nem preparados para algo assim. Não temos essa cultura do longo prazo. Não estamos preparados para 2018, mas sim para o jogo contra a Colômbia. Pensamos em cada dia, cada segundo. Tem de tentar crescer e melhorar. Claro que seria melhor se tivéssemos um trabalho a longo prazo. Nós pensamos nisso, mas temos que ser firmes desde o primeiro passo.”

Apesar de admitir que as “feridas da Copa” ainda estão abertas, Dunga enxerga um Brasil mais maduro depois da derrota em casa. Ele citou um exemplo próprio para justificar a manutenção da base que disputou o Mundial. “Não é porque não ganhou a Copa que estava tudo errado. É como ocorreu em 1990: aproveitamos a experiência, vimos o que não deu certo, e melhoramos para 1994.” Dunga citou Taffarel, Mauro Silva e Gilmar Rinaldi, seus companheiros no tetracampeonato e integrantes da nova comissão, como referências para o grupo atual. Ele lembrou que, em 1994, o técnico Carlos Alberto Parreira e o auxiliar Zagallo, que também fizeram parte da comissão de 1970, serviram de espelho para os atletas. “Nós somos exemplos vivos para estes jogadores, assim como os de 1970 foram para nós. A história no futebol se repete, desde que mudemos a atitude dentro de campo.”

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Tática – Nos primeiros treinamentos, Dunga escalou sua equipe titular sem um centroavante fixo, com Neymar e Diego Tardelli soltos na frente e Oscar e Willian na armação. “Queremos movimentação para criar espaços. Jogador não pode virar referência para marcador, é em movimento que se cria os espaços. Quero uma equipe competitiva, que não deixe o adversário jogar. Quando tivermos a bola, temos de criar e sem ela temos de ter humildade de correr atrás do adversário.”

Ao elogiar o esquema usado pela Holanda na Copa, o técnico retornou lembrou os tempos de sua primeira passagem e alfinetou parte da imprensa. “A Holanda jogou com três zagueiros, todos marcavam. O Robben atacava e recompunha no meio-campo. Mas, no Brasil, dizem que atacante não precisa marcar.” Apesar de admitir que o Brasil está um passo atrás dos principais concorrentes neste momento, Dunga disse confiar na recuperação da equipe, apostando principalmente na qualidade de seus atletas. “O futebol é o mesmo. Mudou a velocidade, os espaços estão reduzidos, mas o que decide é a qualidade técnica, o drible, bom passe, bom cruzamento.”

Por fim, o treinador analisou o primeiro adversário de seu retorno à seleção. Segundo ele, a Colômbia de James Rodríguez, Falcao Garcia e do treinador José Pékerman está um degrau acima do Brasil, por já ter um grupo formado. “A Colômbia é um adversário difícil, que cresceu muito. Nos quatro anos de trabalho, o Pékerman conseguiu ótimos resultados. Ele conhece melhor seus jogadores, está mais habituado ao convívio diário, sabe como cobrar, como deve tratar cada jogador. Nisso a Colômbia leva vantagem sobre o Brasil, pois eu ainda preciso adquirir esse conhecimento nos treinamentos.”

(Com reportagem de Silvio Nascimento, em Miami)