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Drogba, o craque da paz na Costa de Marfim

Por Por Denis HIAULT 21 set 2011, 16h32

O atacante do Chelsea, Didier Drogba, é mais do que um jogador de futebol na Costa de Marfim. O prestígio do craque, que foi nomeado vice-presidente de uma comissão de reconciliação nacional, transcende as divisões num país que sofreu durante anos por causa de uma guerra civil.

“É uma questão de patriotismo. Amo meu país e quero contribuir para a reconciliação”, afirmou Drogba na terça-feira numa coletiva de imprensa em Londres.

Com o passar dos anos, o craque, que migrou para a França com cinco anos de idade, mostra cada vez mais apego em relação à sua terra natal. “Não poderia ter recusado”, garantiu.

O ex-primeiro ministro do país Charles Konan Banny, presidente da Comissão Diálogo, Verdade e Reconciliação (CRDV), que terá onze membros, comparou a entidade com uma equipe de futebol, na qual Drobga seria o seu “camisa 11”, referindo-se ao número que o jogador usa com seu clube e com a seleção.

De acordo com Konan Banny, o atacante é um “construtor de paz”.

A Costa de Marfim viveu sua última grave crise política quando o ex-presidente Laurent Gbagbo recusou-se a reconhecer sua derrota nas eleições de 2010, cujo vencedor foi Alassane Ouattara. O conflito deixou mais de 3.000 mortos entre dezembro de 2010 e abril de 2011.

Drogba não poderá estar presente na inauguração oficial da CRDV, no dia 28 de setembro, em Yammoussoukro, por conta das obrigações com seu clube.

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Mesmo assim, ele prometeu que desempenhará um papel importante como “representante da diáspora”.

Drogba já se destacou diversas vezes em ações a favor da paz no seu país. Em 2005, após ter garantido a classificação do seu país para a Copa do Mundo de 2006 na Alemanha, ele gravou um vídeo no qual se ajoelhou junto com seus companheiros de equipe para pedir o fim da guerra civil.

Já em 2007, o atacante pediu para que a partida das eliminatórias para a Copa Africana de Nações (CAN) de 2008, fosse disputada em Bouaké, cidade na qual um evento esportivo não era organizado há anos por tratar-se da capital da região controlada pelos rebeldes.

“É mais fácil se levantar, pegar armas e entrar em guerra do que sentar, tentar entender, conversar e perdoar. Precisamos fazer de tudo para que nada disso aconteça de novo” declarou Drogba na terça-feira em Londres.

“Faço o que posso. Tento trazer a minha pequena contribuição, mas não sou Super-Homem. Não tenho a pretensão de dizer que vou trazer sozinho a paz para a Costa de Marfim”.

O jogador citou como exemplo os trabalhos de reconciliação realizados em Ruanda após o genocídio de 1994, exemplo de que “as pessoas podem reaprender a viver juntas”.

Ao ser perguntado se pretende se lançar na carreira política, ele mostrou-se um pouco irritado: “prefiro deixar a política aos políticos. Sou jogador de futebol, é o que eu faço de melhor”, concluiu.

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