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Douglas Souza: ‘o vôlei não é tão inclusivo quanto as pessoas acham’

Atleta fala com a coluna GENTE sobre retorno à Seleção Brasileira, planos olímpicos e casamento

Por Tatiana Moura 21 ago 2026, 09h00
Douglas Souza: ‘o vôlei não é tão inclusivo quanto as pessoas acham’ Priorizar nos meus resultados Google

Cinco anos após a medalha de bronze nas Olimpíadas e um período afastado das quadras, Douglas Souza, 30 anos, retorna à seleção brasileira de vôlei. O período sabático longe do esporte serviu para o atleta se desenvolver como profissional e pessoa. Em julho de 2026, se casou com o streamer Gabriel Campos, com quem já está junto há 9 anos. A coluna GENTE conversou com o atleta sobre a volta à seleção, relacionamento e preconceito no esporte. 

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Por que esse é o momento certo de voltar? Foi um processo para mim. Na temporada passada, a morte da mãe do Bernardo me tocou bastante. Como eu estava bem fisicamente, pensei: ‘vou voltar’. Bernardo já tinha tentado também várias outras vezes. Então, não tem porquê não voltar, agora é um ambiente diferente.

Pensando em 2028, tem vontade de competir em mais uma Olimpíada? Voltei pensando nesse reciclo para tentar chegar em 2028. Lógico que é meu sonho chegar lá, mas a gente tem um longo caminho. Ano que vem já vai ter o Mundial e vai servir de muita preparação para chegar bem em Los Angeles. Bernardo tinha me chamado para ir lá em 2024, mas sou muito cabeça dura, não tinha conquistado a classificação e ia chegar com eles que construíram tudo isso.

Que objetivo ainda não conquistou na carreira? O biolímpico. Em 2021 estava muito obcecado. Eu falava que ia ser biolimpico no final do ano, brincava com o meu marido sobre como ia ser. E ele me ajudou a não ficar frustrado, me apoiava, mas também mantinha o meu pé no chão. 

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Quando começou a gravar vídeos dos bastidores da seleção na Olimpíada de Tóquio, esperava toda aquela repercussão? Foi uma olimpíada sem público, até a imprensa ficava distante. Era muito solitário, as pessoas queriam saber como funcionava a rotina, o que a gente fazia no dia a dia. E eu estava lá, produzindo conteúdo sobre isso. Mas, acima de tudo, vivendo a competição como fosse a última. 

Qual é a sua história com o seu marido? Como se conheceram? Através de amigos, frequentamos as mesmas festas durante muitos anos. Em 2017 a gente se aproximou, ele falava do menino que gostava, desabafava comigo, enquanto eu estava apaixonado nele. Eu tentava ‘fugir’, mas não deu. A gente começou a namorar, seis meses depois nos mudamos e estamos juntos até hoje.  O pedido de casamento foi feito em 2023, em um restaurante ele gostava bastante. Quando pedi, ele não acreditou, foi muito especial. 

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Sempre teve o sonho de casar? Sempre fui muito princesa da Disney. Fui uma criança muito feliz, mas saí de casa aos 14 anos. Tive ilusões amorosas e o encanto se perdeu. Pensava que nunca iria acontecer. Já pensei que iria ficar sozinho para sempre, mas consegui superar. Ninguém pensa que vai achar alguém para casar aos 21 anos, mas tive sorte. 

Como foi organizar o casamento e conciliar com a carreira? Era para ser uma cerimônia pequena, sabe? A gente teve a nossa assessora maravilhosa que ajudou em tudo. No meio do campeonato,não tinha como me preocupar com casamento. Foi tudo feito em uma semana, na única folga que tive. Depois que acabou a Superliga e antes de me apresentar na seleção. 

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O vôlei é um ambiente inclusivo para atletas LGBTQIA+? Na escola é sempre assim. As meninas vão jogar vôlei e os meninos jogam futebol, mas no profissional só tem homem heterossexual. Você cresce escutando que é esporte de gay, mas na realidade não.  Depois de alguns anos, depois que subi para o profissional, muita coisa foi evoluindo. Hoje em dia, se vê muita gente na comissão técnica falando com orgulho do filho ser gay, já tem uma evolução.

Sofreu muito preconceito no esporte? Não, muito pelo contrário. Porque acho que as pessoas iludem a gente. Você fala “esporte de gay”, mas aí chega no profissional, é um baque. Não se vê pessoas iguais a você nesse ambiente. Faz parte, mas o vôlei, infelizmente, não é tão inclusivo quanto as pessoas acham. Logicamente deveria ser mais tranquilo, mas é o contrário.

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Você se vê como exemplo para os mais jovens? Sou muito intruso. Se a pessoa precisa de um toque, vou lá e dou um toque. Sou um cara que fala muito durante o treino, por exemplo. A gente precisa se comunicar, construir esse entrosamento. 

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