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Doria: ‘GP do Brasil de F1 é em Interlagos e seguirá assim’

Governador de São Paulo disse que relações com Bolsonaro, Witzel e Crivella não foram arranhadas, mas negou mudança da F1 para o Rio

O governador de São Paulo João Doria e o prefeito da capital paulista Bruno Covas se reuniram nesta sexta-feira, 10, e garantiram que Interlagos receberá o GP do Brasil de Fórmula 1 em 2020 e que a cidade não abrirá mão de renovar o contrato com a principal categoria do automobilismo. As declarações são uma resposta ao discurso do presidente Jair Bolsonaro, que na última quarta-feira anunciou a transferência do evento para o Rio de Janeiro já a partir do ano que vem.

Doria citou “razões jurídicas, tradicionais e econômicas” para que o evento siga em São Paulo. “O GP do Brasil é em Interlagos e seguirá assim. Se o Rio quiser ter Fórmula 1, vai ter de disputar com São Paulo e posso garantir que temos mais chances”, afirmou, em entrevista no Palácio dos Bandeirantes.

O prefeito Bruno Covas ressaltou que a Prefeitura de São Paulo tem contrato com a Liberty Media, empresa americana que gere a F1, até dezembro de 2020, e que uma nova reunião está marcada para junho, para negociar a renovação. “Ficaria muito surpreso com uma não renovação”, disse. Covas negou veementemente as declarações de Bolsonaro de que o Rio assumirá o evento pois, caso contrário, “a F1 deixaria o Brasil”.

“Nunca tivemos resistência. Fomos pegos de surpresa, já que o contrato não vence este ano e, portanto, estamos dentro do prazo”. Covas, que ao contrário de Doria não apoiou Bolsonaro nas últimas eleições, acredita que o presidente foi “levado ao erro”. “Não há razão para acreditarmos que essa tradição será quebrada”, completou Doria.

Os tucanos salientaram a experiência de três décadas de São Paulo recebendo a Fórmula 1, com destaque para transporte, segurança e do ramo hoteleiro. Covas revelou que, segundo levantamento da SPTuris, o GP do Brasil de 2018 teve um impacto econômico de 334 milhões de reais, bem maior que outros grandes eventos na cidade (por exemplo, 180 milhões de reais do Revéillon, 220 mi do Carnaval e da Virada Cultural, e 120 mi do festival de música Lollapalooza).

‘Bolsodoria’ segue firme

O governador João Doria, no entanto, quis evitar qualquer tipo de animosidade tanto com Bolsonaro, de quem disse ter recebido uma mensagem de áudio “muito simpática” na noite anterior, quanto com o governador Wilson Witzel e o prefeito Marcelo Crivella, que anunciaram a mudança da Fórmula 1 para o Rio em conjunto.

“Bruno e eu nada temos contra o Rio de Janeiro, muito menos com essas pessoas amigas.”, disse. “O presidente me disse que não tem nada contra São Paulo, apenas quis ajudar, e eu acredito nisso, mas essa é uma decisão que cabe aos promotores. Não há nenhuma razão de afastamento ou arranhão”, garantiu Doria, que revelou que irá se encontrar com Bolsonaro na próxima quarta-feira, 22, em Dallas, nos Estados Unidos.

Os governantes paulistas, no entanto, negaram a possibilidade de dividir a sede do GP de Fórmula com o Rio de Janeiro. “Essa é uma decisão dos promotores, não cabe a nós pensar em alternar. Mas pela minha experiência, acredito que economicamente seria ruim e suponho que nem mesmo os pilotos aprovariam, pelo fato de já estarem acostumados com o traçado da pista”, disse Doria.

Na última quarta-feira, 8, Bolsonaro assinou, durante evento no Rio de Janeiro, um termo de cooperação para que um novo autódromo seja construído em um terreno do Exercito no bairro de Deodoro, na Zona Oeste, e passe a receber o GP do Brasil de Fórmula 1 já a partir de 2020. O novo circuito receberá o nome de Ayrton Senna, em homenagem ao tricampeão morto há 25 anos, revelou o presidente.

Segundo Doria, o local não tem condições de receber a Fórmula 1 em um ano e meio. “Não tem nada em Deodoro. Como é possível imaginar que um investimento que não existe vá virar um autódromo aprovado pelos promotores da F1 para organizar o evento já em 2020? Algo não orna nesta história.” Doria e Covas informaram que os trâmites para que Interlagos seja privatizada, num acordo de concessão, seguem em andamento.