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Doping: por que advogado de Bia Haddad ‘comemorou’ suspensão

Tenista brasileira poderá voltar às quadras em maio; Bichara Neto explicou a razão da punição mais branda

Por Alexandre Senechal - 10 fev 2020, 17h55

A Federação Internacional de Tênis (ITF) decidiu punir a tenista Bia Haddad Maia por 10 meses por ter sido pega no doping pelas substâncias anabolizantes Ostarina e Ligandrol. A pena, branda para os padrões do esporte, foi considerada uma vitória pela paulistana e por Bichara Neto, o advogado especializado no assunto que a defendeu no caso. A defesa conseguiu convencer a ITF de que a atleta ingeriu as substâncias proibidas a partir de um suplemento alimentar contaminado, o que evitou que a punição fosse severa.

Como a tenista já cumpria previamente a punição desde julho do ano passado, ela poderá retornar aos torneios em maio. “Foi um bom resultado”, afirmou o advogado, que trabalha no escritório que cuidou da defesa dos tenistas Thomaz Bellucci e Marcelo Demoliner, suspensos por doping. A punição da dupla foi mais branda do que a de Bia, porque eles foram flagrados por um diurético, enquanto a tenista ingeriu duas substâncias anabolizantes, consideradas mais graves. Demoliner ficou três meses afastado das quadras. Bellucci, pego depois, recebeu cinco meses.

Bichara está feliz com o resultado porque hoje é muito difícil que a Wada absolva integralmente os atletas flagrados no doping. O regulamento da entidade prevê que o esportista assumiu o risco ao ingerir a substância, mesmo que não saiba. Como a ITF se convenceu de que o suplemento alimentar de Bia continha os elementos proibidos por culpa do laboratório, ela pegou uma pena mínima. A suspensão poderia durar até quatro anos.

“O problema é que com o passar do tempo os casos de contaminação cruzada aumentaram bastante, a ponto da ITF divulgar alertas direcionados a atletas da América do Sul em função do número de casos. Eles não podem alegar total desconhecimento. A Wada alerta para isso. Não pode alegar que podia esperar que podia se contaminar”, explica Bichara Neto.

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Um dos casos mais famosos de absolvição por doping é o do nadador Cesar Cielo. O campeão da prova dos 50 metros nado livre dos Jogos de Pequim-2008 foi pego em maio de 2011 pelo uso do diurético furosemida. Ele disse que foi vítima de contaminação e acabou recebendo apenas uma advertência. Outra medalhista olímpica pode não ter a mesma sorte graças a nova determinação da Wada. Rafaela Silva, judoca ouro na Rio-2016, está suspensa e aguarda a decisão de sua apelação para saber se poderá defender o título em Tóquio no meio do ano.

Bia Haddad se manifestou após a confirmação dos 10 meses de suspensão por doping através de suas redes sociais. Ela afirmou que eles conseguiram provar que o erro não aconteceu da parte deles e disse que jamais iria se submeter ao doping pela paixão que tem pelo esporte. “Nunca colocaria em risco algo tão importante para mim, e que é responsável pela pessoa que sou hoje. Sempre joguei limpo e aprendi com o tênis valores que fazem parte do meu dia a dia: respeito, honestidade e trabalho duro”.

No dia 23 de julho do ano passado, a ITF divulgou que a atleta estava suspensa preventivamente por doping. Na urina de Bia, coletada em 4 de junho durante um torneio na cidade de Bol, na Croácia, foram identificados marcadores ligados a dois tipos de moduladores seletivos do receptor de androgênio, conhecidos pela sigla Sarm: o S-22 (Ostarina) e o LGD-4033 (Ligandrol), ambos proibidos pelo código da Wada. A segunda é conhecida entre o mundo dos fisiculturistas como uma alternativa aos esteroides anabolizantes.

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