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Doping: mais de 1.000 atletas russos se beneficiaram de esquema

Relatório McLaren confirma "conspiração e acobertamento" no esporte russo, realizados com apoio do governo do país, entre 2011 e 2014

Por da redação 9 dez 2016, 11h01

A segunda parte do relatório McLaren, que analisa casos de doping no esporte, apresentou dados chocantes nesta sexta-feira: mais de 1.000 atletas russos, de 30 modalidades, se envolveram ou se beneficiaram de práticas de doping patrocinado pelo governo do país entre 2011 e 2015.

O documento independente, confeccionado a partir de solicitação da Agência Mundial Antidoping (Wada) afirma que existiu uma “conspiração” na Rússia, realizada com apoio de autoridades do Ministério do Esporte e com apoio da agência local antidoping e do Centro de Preparação das Equipes Nacionais.

  • “Podemos confirmar o que anunciamos no primeiro relatório: aconteceu um acobertamento, que começou em 2011 e seguiu até depois dos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi. Um acobertamento que evoluiu até níveis sem precedentes”, afirmou o professor Richard McLaren, da Western University do Canadá.

    Antes dos Jogos Olímpicos do Rio, realizados em agosto, seu informe preliminar apontou como o consumo de substâncias proibidas por atletas russos era promovido por programas secretos do governo russo, contando inclusive com o apoio dos serviços de inteligência.

    Richard McLaren
    Richard McLaren apresenta o seu relatório Peter Power/Reuters

    As revelações levaram centenas de atletas e entidades a pedir a suspensão de toda a delegação russa dos Jogos do Rio, mas a opção do Comitê Olímpico Internacional (COI) foi a de manter a Rússia no grande evento e suspender apenas os integrantes do atletismo e aqueles que não conseguissem provar que estavam limpos. Na época, McLaren acusou o COI de não entender que o doping era generalizado e organizado pelo estado russo.

    Agora, suas conclusões revelam a dimensão do escândalo que envolveu diretamente o ex-ministro do Esporte da Rússia, Vitaly Mutko. O braço direito do presidente Vladimir Putin não foi autorizado a viajar ao Rio de Janeiro, mas o Kremlin, em vez de demiti-lo, o promoveu ao cargo de vice-primeiro-ministro.

    “Houve uma sistemática manipulação de controle de doping. Mais de mil atletas podem ser identificados como tendo beneficiados de manipulações”, explicou McLaren nesta sexta-feira. Nos esportes de verão, esse número seria de pelo menos 600 e os nomes já foram repassados às federações internacionais.

    Mais de 500 casos que deveriam ser positivos foram testados como “positivos” nos exames internacionais, permitindo que pudessem competir em provas internacionais e mesmo nos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres.

    (com agências EFE e Estadão Conteúdo)

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