Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia

Doping: Iaaf mantém suspensão e atletismo russo está banido da Rio-2016

Confirmada a punição, russos terão uma última chance de conseguir amenizar a pena: uma autorização especial do COI aos atletas 'limpos'

Por Da Redação Atualizado em 10 dez 2018, 10h17 - Publicado em 17 jun 2016, 12h56

A Associação Internacional de Federações de Atletismo (Iaaf, na sigla em inglês) manteve a punição ao atletismo russo por causa do escândalo de doping revelado no ano passado e, assim, todas as equipes russas da modalidade estão fora da Olimpíada do Rio de Janeiro. A informação foi antecipada por veículos estrangeiros, como a BBC e o jornal New York Times, e a entidade confirmou mais tarde a decisão – escolhida por unanimidade pelo conselho – em uma entrevista coletiva, em Viena, na Áustria, nesta sexta-feira. “Algum progresso foi feito, mas não o suficiente”, disse o presidente da IAAF, Sebastian Coe, durante o anúncio.

A Iaaf não considerou válidas as promessas de reformas e as respostas dadas pelos russos, diante das acusações de que o país manteve um programa generalizado de doping, inclusive com a participação do governo, e optou por manter a suspensão à Federação Russa e seus atletas de todas as competições internacionais.

Agora, o atletismo russo tem uma última e remota chance de conseguir amenizar a pena: o Comitê Olímpico Internacional (COI) ainda pode conceder uma autorização especial para que atletas russos que não foram flagrados em exames antidoping estejam na Rio-2016. Para isso, o COI terá de decidir se seguirá o princípio da “justiça individual” ou da “responsabilidade coletiva”. A entidade teme que atletas “limpos” possam abrir processos legais.

Leia também:

Sharapova entra com recurso para barrar suspensão por doping

Doping por Meldonium, uma nova ameaça para a Rio-2016

Continua após a publicidade

Doping na Rússia, uma política de Estado

No entanto, em entrevista à BBC, o vice-presidente do COI John Coates classificou o esquema de dopagem russo como “podre até a raiz” e sinalizou que a punição é irreversível. Com isso, estrelas do atletismo russo, como a bicampeã olímpica do salto com vara Yelena Isinbayeva, devem ficar proibidos de competir no Rio.

O secretário-geral da federação russa, Mikhaïl Boutov, confirmou à agência oficial TASS a nova posição da Iaaf. “Posso confirmar que a suspensão está mantida.” “Era uma decisão esperada, mas vamos reagir”, completou o ministro dos Esportes da Rússia, Vitali Mutko.

Horas antes do anúncio, o presidente russo Vladimir Putin havia novamente negado participação nos casos de doping. “Não há e não pode haver nenhum apoio do Estado, principalmente no que diz respeito ao doping”, afirmou Putin durante o Forum Econômico Internacional de São Petersburgo nesta sexta-feira. “Não é possível haver responsabilidade coletiva para todos os atletas. Uma equipe inteira não pode assumir toda a responsabilidade por violações cometidas por apenas uma pessoa”, completou.

Denúncias – No início de novembro, a Wada publicou um informe de 323 páginas descrevendo uma verdadeira indústria montada em Moscou para garantir medalhas com a ajuda do doping e o envolvimento direto do governo russo. Em 2012, em Londres, os russos ficaram em segundo lugar no atletismo, superados apenas pelos americanos, e o informe descreveu a atitude de Moscou como uma “sabotagem” contra os Jogos.

Rapidamente, o governo russo reagiu, alegando que tudo não passava de um “complô” internacional contra Moscou. Vladimir Uiba, chefe da Agência Federal Biomédica, acusou a Wada de fazer parte de uma campanha do Ocidente contra seu país. “São investigações com motivos políticos que entram na mesma categoria que as sanções contra a Rússia”, disse à agência Interfax. Na época, o presidente da Iaaf, o inglês Sebastian Coe, disse no comunicado em seu site que o episódio foi “um vergonhoso alerta” e que novos casos de “trapaça, em qualquer nível, não serão tolerados.”

Continua após a publicidade
Publicidade