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Dirigente ligado ao ‘caso Amarilla’ será afastado da Conmebol

Abel Gnecco, representante argentino da Comissão de Árbitros, foi gravado em uma conversa suspeita sobre a eliminação do Corinthians da Libertadores de 2013

Abel Gnecco, o dirigente argentino identificado nas escutas telefônicas que tratavam da escolha dos árbitros na Libertadores de 2013, em um suposto complô contra o Corinthians, será afastado do cargo de representante da Comissão de Árbitros da Conmebol ao final da Copa América, segundo o jornal argentino La Nación desta terça-feira. O árbitro Carlos Amarilla, pivô das acusações, também já havia sido suspenso preventivamente pela federação paraguaia na segunda-feira.

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Nas gravações divulgadas pelo programa La Cornisa, da TV América, Gnecco conversa com Julio Grondona, ex-presidente da federação argentina, morto em 2014, e diz que negociou com o paraguaio Carlos Alarcón, chefe da arbitragem da Conmebol, a escalação de Amarilla na partida em que o Boca Juniors eliminou o Corintians das oitavas de final da Libertadores, com uma atuação desastrosa do árbitro.

“Assim foi, a Conmebol colocou (o Amarilla) e deu tudo certo, porque tem que ser assim…”, disse Gnecco, que foi árbitro nas décadas de 70 e 80. Grondona, por sua vez, disse que Amarilla foi “o maior reforço do Boca no ano”. Em outros trechos da conversa, Gnecco e Grondona discutiram sobre a escalação de outros árbitros na sequência da Libertadores e comentam sobre uma semifinal, em 1964, em que o Santos teria sido prejudicado pela arbitragem diante do Independiente, clube argentino presidido por Grondona na época.

Ao La Nación, Federico Beligoy, secretário-geral da Associação Argentina de Árbitros (AAA), defendeu Gnecco. “São conversas normais e comuns às previas de uma escolha de árbitros. Eles se juntam e decidem quem vai e quem não vai.”

Na segunda-feira, a comissão de árbitros da federação paraguaia considerou o conteúdo das escutas suficientes para o afastamento de Amarilla e de seus assistentes que trabalharam na partida do Pacaembu, Rodney Aquino e Carlos Cáceres, até que a situação seja apurada. A princípio eles não poderão participar das primeiras partidas do torneio Clausura do Paraguai, em julho.

Amarilla deu entrevista à rádio paraguaia 970AM nesta segunda e negou que tenha prejudicado o Corinthians de forma intencional. “Estou com a consciência tranquila e à disposição para qualquer investigação. Sou o mais interessado em que toda história seja esclarecida. Querem sujar meus 18 anos de carreira.” Nesta terça, o técnico Tite relembrou o dia da eliminação com tristeza e disse não gostaria de ver novamente o rosto de Amarilla. “Tomara que não o encontre nunca mais, nem em aeroporto ou qualquer outro local.”

(Da redação)