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Diretor da Match sabia que fornecia para cambista, afirma delegado

Fábio Barucke pretende pedir quebra de sigilos bancário e telefônico dos doze suspeitos e diz ter provas de que Raymond Whelan tinha ciência de que negociava com "o maior cambista com atuação no Rio de Janeiro"

Por Pâmela Oliveira, do Rio de Janeiro 8 jul 2014, 16h04

O delegado Fábio Brucke, que comanda a investigação sobre a máfia internacional de cambistas que atua junto à Fifa, afirmou, na tarde desta terça-feira, que o inglês Raymond Whelan, CEO da agência Match, “tinha ciência de que fornecia ingressos para o maior cambista com atuação no Rio”. Barucke referia-se ao franco-argelino Lamine Fofana, preso na semana passada com outras dez pessoas suspeitas de envolvimento no esquema. “Está claro que ele negociava ingressos com Fofana. Temos provas suficientes de que ele fazia isso”, disse o delegado.

Pouco antes das 16h, chegou à delegacia o chefe de Polícia Civil do Rio, Fernando Veloso, para uma reunião com o delegado do caso. Barucke, que tinha planos iniciais de concluir nesta terça-feira o inquérito, afirmou que a investigação será finalizada na quarta-feira. Assim que concluir o trabalho, ele pretende pedir à Justiça a quebra dos sigilos bancário e telefônico dos doze envolvidos. O delegado também pretende pedir prisão preventiva dos suspeitos.

A porta-voz da Fifa, Delia Ficher, voltou a afirmar que a instituição vai colaborar com as investigações sobre a máfia internacional de cambistas e tem interesse na resolução do caso. A Polícia Civil, no entanto, não conseguirá ouvir o CEO da agência Match, ligado à federação e apontado como um dos líderes do esquema. O advogado Fernando Fernandes, que representa Whelan, afirmou à tarde, na 18ª DP (Praça da Bandeira), que seu cliente não vai comparecer à delegacia. O depoimento era esperado para esta manhã, mas, como Whelan foi solto durante a madrugada, e não havia intimação emitida, o diretor da Match decidiu não comparecer espontaneamente.

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“É de interesse da Fifa que esse tema dos ingressos seja liquidado. Somos os primeiros que querem uma investigação e que o assunto seja rapidamente solucionado”, declarou Delia Fischer. A Fifa foi criticada pela Polícia Civil e pelo promotor de Justiça Marcos Kac, que atua no caso. O Ministério Público do Rio e a polícia haviam solicitado, na quinta-feira, a lista de credenciados para atuar no Brasil. O pedido só foi atendido na tarde de segunda-feira.

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Whelan foi preso na segunda-feira, dentro do Copacabana Palace, hotel onde está hospedada a “família Fifa” – diretores e altos funcionários, principalmente. No quarto foram apreendidos cerca de cem ingressos. O diretor da Match negou participação no esquema ilegal e disse que todos os ingressos apreendidos em seu poder são regulares. Depois de pagar fiança de 5.000 reais, determinada pela Justiça, ele foi solto pouco depois das 4h desta terça-feira.

O pedido de pressa por parte da Fifa faz parte de uma estratégia para tentar blindar a Copa do Mundo e evitar que a operação da polícia tenha qualquer tipo de impacto no torneio. Na segunda-feira, uma reunião de emergência foi realizada entre o presidente, Joseph Blatter, e a cúpula da entidade. Ao deixar o encontro, Blatter fez um apelo: “Vamos falar de futebol”.

Nesta terça-feira, a Fifa ainda garantiu que adota uma “posição firme” contra qualquer tipo de abuso no que se refere às vendas de entradas. “Apoiamos qualquer ação contra a venda ilegal de entradas”, insistiu a porta-voz. “Vamos continuar a colaborar e dar todos os detalhes para a investigação”, afirmou Delia Fischer.

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(Com Estadão Conteúdo)

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