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Dilma inaugura Mané Garrincha, estádio mais caro da Copa

Em solenidade marcada pelo discurso político, presidente atacou os oposicionistas e agradeceu ao Congresso pela aprovação da MP dos Portos

Por Marcela Mattos 18 Maio 2013, 13h04

Após uma sequência de dificuldades, atrasos e evidências de superfaturamento, o Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha, o mais caro da Copa do Mundo, foi inaugurado na manhã deste sábado pela presidente Dilma Rousseff. Mais do que um evento de celebração esportiva, em campo não faltou politicagem. Acompanhada pelo governador de Brasília, Agnelo Queiroz, Dilma comemorou a finalização das seis arenas que receberão a Copa das Confederações, atacou os oposicionistas, repetiu números sobre seu governo e agradeceu ao Congresso Nacional pela aprovação da medida provisória que regulamentou o setor portuário – o que por pouco não tornou-se uma das maiores derrotas de seu governo.

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Dilma iniciou o discurso dando um recado aos “pessimistas de plantão” – a mesma expressão usada para se referir aos oposicionistas da redução da tarifa energética. Ao lembrar que, no passado, muitos diziam que os estádios não ficariam prontos, a presidente ressaltou a qualidade, a beleza e a modernidade das instalações. “Isso é algo que demonstra a capacidade de nós, brasileiros, realizarmos aquilo que muitos pessimistas de plantão dizem sempre que nós não somos capazes. Por isso, nós vamos acumulando vitórias”, afirmou.

O ex-jogador Mané Garrincha também foi usado como exemplo de superação. Em referência ao cronista Nelson Rodrigues, Dilma afirmou que o jogador demonstrou que o país não deveria ter o “complexo de vira-lata”. “Nós temos superado de forma bastante radical essa atitude diante da vida nacional, política, econômica e social de nosso país”, disse a presidente.

A reconstrução do Mané Garrincha foi a obra mais cara para a Copa do Mundo: passou do valor de 1 bilhão de reais. A presidente, no entanto, preferiu citar números sobre o avanço de seu governo: relembrou que em seu mandato foram criados mais de 2 milhões de empregos e que tem investido em programas para retirar a população da miséria extrema.

MP dos Portos – Passada a agonia para conseguir aprovar a regulamentação do setor portuário, Dilma ressaltou em seu discurso que o país está sendo cada vez mais capaz de conviver com as divergências. “Democracia não é a paz dos cemitérios, isso é ditadura. Democracia é o convívio com posições diferentes”, afirmou a presidente. “Aproveito para agradecer ao Congresso a aprovação da MP dos Portos, agora lei em definitivo. Quero dizer que nós esperamos que a mesma competência ocorra dentro de campo”.

Inauguração – Com 97% das obras concluídas, o estádio receberá o primeiro jogo após sua reconstrução às 16h deste sábado, com a final do Campeonato Candango. No gramado que lidera o ranking da arena mais cara construída para a Copa do Mundo, dois times de pouca – ou nenhuma – tradição nacional: Brasília e Brasiliense. Viúva de Mané Garrincha, a cantora Elza Soares cantará o hino nacional.

Por orientação da Fifa, o jogo de estreia pode receber apenas 30% da capacidade total. Com lugares para 71.000 torcedores, apenas 22.000 terão a oportunidade de conhecer o novo estádio neste sábado. A inauguração para o público em geral acontecerá no próximo dia 26, no jogo entre Santos e Flamengo.

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