Didier Deschamps se despede da seleção: “A melhor coisa que aconteceu na minha vida”
Técnico dedicou 25 anos de sua vida aos “Bleus”, e ganhou uma Copa como jogador em 1998 e outra como treinador em 2018
Didier Deschamps comanda a seleção francesa pela última vez neste sábado, 18, quando a França enfrenta a Inglaterra na disputa pelo terceiro lugar da Copa do Mundo, no estádio de Miami, às 18h (horário de Brasília). Depois de 25 anos ligado aos Bleus, primeiro como jogador, depois como técnico desde 2012, ele deixa o cargo.
Segundo a imprensa francesa, seu ex-companheiro de seleção, Zinedine Zidane, com quem ganhou a Copa de 1998 naquela funesta final contra o Brasil, já tem um acordo verbal com a FFF (Federação Francesa de Futebol) para dirigir a seleção a partir de setembro.
Antes da partida contra a Inglaterra, Deschamps se emocionou ao falar sobre sua despedida. “Na minha cabeça, sei muito bem que a cortina se fecha amanhã. Não quero fazer ninguém chorar, só sei que sentirei falta da seleção francesa. Tive o privilégio de estar lá vestindo essa camisa, de vivenciar momentos magníficos, outros mais difíceis. A cortina se fecha, mas a vida continua. Não sei o que o futuro me reserva, mas sou uma pessoa positiva por natureza; sei que também será bom”.
Com a voz embargada, ele seguiu. “A seleção francesa é a melhor coisa que me aconteceu na minha vida profissional. Vinte e cinco anos deixam sua marca na vida de um homem, criam memórias inesquecíveis”.
O jogo
Apesar de a disputa pelo terceiro lugar ser uma partida sem grande apelo, sempre com um tom melancólico, Deschamps disse que a encara com seriedade. “Quantos adversários já foram eliminados antes de nós? Quarenta e quatro. Temos um dever. Há uma responsabilidade em vestir esta camisa perante os milhões de franceses e francesas que se emocionaram e se decepcionaram”.
Todos os jogadores estarão disponíveis para a partida, e um deles tem até uma motivação especial. Mbappé ainda disputa a artilharia da Copa com Messi, ambos com 8 gols, e mais uma chance de se descolar um do outro. “Parece-me legítimo que ele tenha esse objetivo individual. Esta será a última partida, mas não é apenas mais um jogo. Não vai mudar a vida dos jogadores, mas é melhor terminar em terceiro do que em quarto, e faremos tudo o que pudermos para alcançar esse objetivo, incluindo Kylian como capitão”.
Derrota para a Espanha
Deschamps falou também sobre sua decisão de escalar um time bastante ofensivo contra a Espanha na semifinal, e lamentou que não tenha dado certo. Ainda assim, não se arrepende da decisão “Os espanhóis também jogaram bem com quatro atacantes. Defendemos mal? Poderíamos ter defendido melhor. Atacamos bem? Não, não conseguimos, porque desperdiçamos muitas chances, e o adversário fez com que desperdiçássemos ainda mais. Em Doha (na Copa do Mundo de 2022), chegamos à final, jogamos com quatro atacantes, foi uma escolha minha. O fato de não termos conseguido não muda tudo. Também é preciso levar em conta o adversário”, afirmou.
O técnico prometeu que não vai se aposentar, mas ainda não tem planos concretos para seu futuro. “Há este jogo, e depois serão férias; os jogadores precisam disso, e eu também”.
Depois de 25 anos, duas taças da Copa do Mundo e mais duas finais em que saiu derrotado, ninguém pode dizer que ele não mereça essas férias. Um dos grandes não só da França, mas do futebol mundial. Seus compatriotas só têm a agradecer.
EM UM SÓ LUGAR







