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Descontente, Fifa dará ultimato ao ausente Del Nero

Membro do Comitê Executivo da entidade, brasileiro faltou a todos os compromissos depois da prisão de José Maria Marin – mas segue recebendo salário de R$ 1,2 milhão

Ausente da Fifa desde maio, o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, vai receber um ultimato: ou volta a participar das atividades da entidade que rege o futebol mundial ou terá de ser substituído. Membros do alto escalão da Fifa revelaram que “aturaram” duas ausências do brasileiro nas reuniões do Comitê Executivo, mas não aceitarão uma terceira falta. Por enquanto, Del Nero continua a receber um salário anual de 300.000 francos suíços (cerca de 1,2 milhão de reais) por fazer parte do diretório do futebol mundial.

Del Nero preside o Comitê de Futebol Olímpico e ainda é vice-presidente do comitê que trata da organização da Copa do Mundo de 2018, que será na Rússia. No entanto, nesta semana, o brasileiro mais uma vez não apareceu para os encontros da entidade. Ele está ausente desde maio, quando seu antecessor na CBF, José Maria Marin, foi preso em Zurique – e Del se mandou de volta para o Brasil, imediatamente, abrindo mão de votar na eleição presidencial da entidade. Em julho, ele não viajou para a Suíça para participar da reunião do Comitê Executivo da entidade que discutiu as reformas da Fifa e, no mesmo mês, faltou à reunião em São Petersburgo sobre a preparação da Rússia para sediar a Copa de 2018.

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Como Del Nero não deixou a organização, seu salário anual continua a ser pago. Fontes oficiais na entidade confirmaram que enquanto a Conmebol não indicar se Del Nero será substituído, ele tem “o direito” a todos os benefícios. Dirigentes da Fifa, no entanto, sinalizaram um ultimato ao brasileiro. Se Del Nero não aparecer na reunião da entidade em dezembro – por enquanto marcada para o Japão, mas que pode acontecer na Suíça, para que o presidente Joseph Blatter não precise viajar – ele deve ser expulso.

Existiriam duas formas para retirar o brasileiro da entidade. A primeira delas seria a abertura de um processo no Comitê de Ética. Uma outra, preferida pela Conmebol, seria uma negociação para escolher um substituto. Pelas regras, a Conmebol tem direito a três representações na Fifa e, portanto, poderia pedir para ele sair. Mas, oficialmente, o presidente da federação sul-americana, Juan Angel Napout, evita falar em substituir Del Nero. “Não existem planos para isso.” O paraguaio, porém, não escondeu o constrangimento diante da situação e disse que não poderia falar sobre o assunto.

Entre os demais membros do Comitê Executivo, a ausência de Del Nero causa um misto de ironias e críticas. Para Michel D. Hooghe, membro do Comitê Executivo da Fifa há 27 anos, a ausência é “inacreditável”. “São atitudes como essa que colaboram para a imagem ruim da Fifa”, opina. Na condição de anonimato, uma dirigente foi clara ao comentar a situação do brasileiro: “Isso é insustentável”.

Oficialmente, porém, a Fifa não comenta a ausência de Del Nero. “Isso é algo para a CBF responder”, afirmou a assessoria de imprensa da entidade. Na CBF, a assessoria de imprensa indicou que não comentaria a presença ou não do dirigente. Questionada sobre o salário, a CBF também não respondeu.

(Com Estadão Conteúdo)