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Desafio de derrotar Barcelona vira obsessão para Mourinho

Madri, 20 abr (EFE).- O presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, contratou José Mourinho com um objetivo: acabar com a hegemonia do melhor Barcelona da história. Em ano e meio, o desafio do técnico português se transformou em obsessão.

A única vez em que terminou em vantagem foi na final da Copa do Rei. Em todas as outras vezes, Mourinho não conseguiu fazer com que sua equipe pudesse anular as jogadas letais do barça.

Em Barcelona, ainda jovem, Mourinho fez um estágio como auxiliar-técnico de Bobby Robson.

Enquanto isso, Guardiola já era jogador e demonstrava sua força de comando, dando a clara impressão de que poderia virar um grande treinador, o que veio a acontecer mais tarde. Nenhum dos dois pensava naquele momento que seriam rivais na esfera esportiva nos dias de hoje.

Após conquistar títulos em todos os países onde treinou, o primeiro com o Porto, em Portugal, sendo campeão da Liga dos Campeões, depois com o Chelsea, na Inglaterra, sendo bicampeão do Campeonato Inglês, além de uma Copa da Inglaterra e duas Copas da Liga Inglesa, e chegando a Inter de Milão, onde conquistou o bicampeonato italiano, ganhou uma Copa da Itália e uma Liga dos Campeões de forma memorável, despertando assim o interesse do Real Madrid.

Mourinho venceu o Barcelona nas semifinais da principal competição continental, eliminando o time catalão no Camp Nou, acabando com o sonho dos comandados de Guardiola de conquistar o título no Santiago Bernabéu, estádio do Real e local da final daquele ano.

Derrotar o Barça é a grande motivação de Mourinho. Os clássicos são sempre disputados no limite. Basta se lembrar de quando Mourinho colocou o dedo no olho de Tito Vilanueva, auxiliar de Guardiola, na partida de volta da Supercopa da Espanha, em 2011.

Na ida das semifinais da Liga dos Campeões do ano passado, Guardiola criticou Mourinho duramente.

Mourinho foi alimentando decepções. Mudando seus jogadores e os esquemas táticos. Buscando a fórmula para parar o futebol de toque bola do Barcelona. Só conseguiu uma vez. Na prorrogação da final da Copa do Rei, disputada no Mestalla. O gol foi marcado pelo craque da equipe, o português Cristiano Ronaldo, que ajudou José Mourinho a conquistar seu único título no comando do Real.

A derrota mais humilhante da carreira do português ocorreu em 2010, contra o Barcelona, ao perder por 5 a 0 no Camp Nou.

Outra derrota complicada diante do Barça foi a de 2 a 0 na ida das semifinais da Liga dos Campeões, saindo decepcionado frente à sua torcida. O time foi dominado pelo rival, contou com uma expulsão de Pepe e o treinador luso iniciou uma guerra contra a Uefa ao criticar duramente os juízes da entidade.

A última derrota foi no primeiro turno da atual temporada, quando o Real Madrid abriu o placar com o gol de Karim Benzema, mas acabou levando a virada graças aos gols de Alexis Sánchez, Cesc Fábregas e Xavi Hernández.

Na última eliminatória disputada por ambas as equipes, pelas semifinais da Copa do Rei deste ano, ocorreu uma igualdade nos dois jogos. O Real teve ótima atuação no Camp Nou, chegando a amedrontar a torcida adversária, podendo usar isso como motivação, apesar da desclassificação. Os fatores negativos são a derrota no primeiro turno do Espanhol, a eliminação da Liga dos Campeões, a queda na Copa do Rei, e a perda da Supercopa da Espanha, todas para o Barcelona.

‘O Especial’, como Mourinho é chamado na Espanha, está perto da conquista do Campeonato Espanhol e disputa as semifinais da Liga dos Campeões, podendo classificar o Real para a final, o que não ocorre desde 2002. Após nove confrontos contra o Barcelona, equipe que mais vezes o derrotou em sua carreira, e apenas uma vitória, o clássico do futebol espanhol é vital para que Mourinho entenda que uma vitória pode acabar com a hegemonia do maior rival de seu time. É um grande desafio, que foi transformado em obsessão. EFE